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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Madonna: um breve histórico

“O nome dela está entre artistas como Beatles, Elvis e Frank Sinatra. Assim como nós, Madonna é a voz de uma geração. Só tenho que me curvar e aplaudir” – Paul McCartney



Hoje, 16 de agosto de 2010, Madonna completa 52 aninhos de idade. São mais de 27 anos de carreira e a importância dela é inegável. Todo mundo conhece uma música e, se acha que não foi influenciado por ela, com certeza foi por alguém que foi influenciado. Madonna inventou caminhos diferentes para a música pop e apertou botões na sociedade.


Ela nasceu na pacata cidade de Bay City, em Michigan e freqüentou a Rochester Adams High School, onde se distinguiu como ótima aluna e, contra a vontade do pai, começou a ter aulas de dança aos 14 anos. A loira – na época ainda morena – concluiu o ensino médio e entrou na Universidade de Michigan no curso de dança, mas abandona tudo e, com apenas 35 dólares, muda-se para Nova York com o objetivo de seguir carreira de bailarina.

Passando por dificuldades econômicas, muda de planos ao integrar a turnê de um cantor disco. Ela conhece Dan Gilroy em Paris e funda a banda Breakfast Club, onde Madonna foi baterista, guitarrista e vocalista em épocas diferentes. Depois do fim da banda, vai para outra, chamada Emanon (“No name”, “sem nome”, ao contrário), carinhosamente chamada de Emmy, com um antigo namorado, Stephen Bray. Os dois decidem afastar-se da banda e começam a trabalhar em canções.

Assim, uma fita K7 com as canções deles chegou às mãos do produtor e DJ Mark Kamins que a entregou na Sire Records, que contratou Madonna em 1982. Música a música, as canções da fita são lançadas como singles compactos no mercado e fazem sucesso suficiente para que um álbum completo seja encomendado. Ele é lançado e é um estouro. O resto é história.

Em sua discografia oficial, de “Madonna” (1983) a “Hard Candy” (2008), tem de tudo. Pop, rock, electro, acústico, rap, jazz, blues, house, musicais, baladas, midtempo. Não há cafetão por trás de Madonna, ela está no controle e, em seus discos e shows, entende de tudo – da parte instrumental à mixagem, sistemas de som, iluminação.
Longe de mim querer apenas comparar, mas Madonna, vestida de noiva, mostrava a calcinha na MTV enquanto Michael Jackson levava sua namoradinha para ver um filme de terror. Um álbum com mais, outro com menos, o convite a reflexão está lá. Reflexão sobre basicamente qualquer assunto. Além disso, ela revolucionou a história do videoclipe e da maneira de montar shows ao vivo.

Se não for pra admirar a sua música, que seja seu dom para os negócios ou sua persona. Mesmo quem não curte Madonna precisa entender como ela é a voz de uma geração, uma antena de modismos, um espelho transparente – as pessoas mudam com ela e ela muda com o mundo. Ela tenta provar com graça e sem (falsas) pretensões que é possível ser tudo ao mesmo tempo: cantora, diretora, escritora, estilista, sexy, espiritualizada, ambiciosa, bonita, mãe, engraçada, perfeccionista. E é essa capacidade de unir coisas distintas com harmonia que faz com que multidões a sigam por onde ela passa.

O cantor Justin Timberlake falou e disse em um discurso dedicado à cantora: “O mundo está cheio de pretendentes a nova Madonna. Eu devo até ter namorado uma ou duas delas. Mas, na verdade, Madonna só existe e existirá uma”.

Os melhores clipes de Madonna

Madonna, ao lado de Michael Jackson, foi quem praticamente inventou a maneira de divulgar a música pela TV e seus vídeos são curtas-metragens, geralmente. Listarei apenas dez deles, com seus devidos méritos, mas é bom que fique claro: não há videografia melhor e mais elaborada que a de Madonna. Vê-los seguidos, em ordem cronológica, é uma aula e tanta de música pop. Clique nos títulos para assistir.
10 – Ray of light
Um dia inteiro passando diante dos nossos olhos é a idéia desse vídeo, que é muito gostoso. A cantora está lá, básica, de Levi’s, mas o clipe é bem estiloso e passa por vários lugares do mundo e por vários tipos de ambiente e pessoa.
9 – Bad girl
Dirigido por David Fincher – hoje o premiadíssimo cineasta por trás de “Clube da Luta” e “O Curioso Caso de Benjamin Button” – o vídeo conta a vida estressante e promíscua de uma alta executiva. Com participação de Christopher Walken, interpretando um tipo de “anjo da morte”, o single é visto como um fracasso comercial para a cantora. Mas o clipe é belíssimo.
8 – Music
Grande parte do sucesso da canção veio do clipe: Madonna voltou a ser Madonna, saindo no seu carro tunado e cheio de strippers – a idéia era fazer um vídeo nos moldes dos rappers. O tiro foi certo e a música foi o primeiro number 1 de Madonna desde 1995. Super divertido!
7- Hung up
David LaChappelle não gostou das fotos que tirou de Madonna nos anos 1990 e educadamente recusou o convite de dirigir este vídeo. Ainda bem, pois o sueco Johan Renck fez um trabalho e tanto. Várias pessoas ao redor da Londres suburbana ou underground se contagiam com o hit, ensaiam durante o dia e se encontram para dançar juntos à noite. E dá vontade de fazer o mesmo quando assistimos!

6 – Justify my love
A música foi escrita por Lenny Kravitz, namoradinho da cantora na época. No vídeo, levemente inspirado no filme ítalo-americano “O Porteiro da Noite”, de Liliana Cavani, há referências a sexo gay, bissexualidade, dominação e sadomasoquismo. Tudo mais sugerido do que mostrado, mas, ainda, very hot!
5 – What it feels like for a girl
Depois do divórcio, o clipe parece um recalque do diretor e marido Guy Ritchie com o sucesso da mulher. Mas, na época, o assunto era girl power, violência em quatro rodas e karma em seu sentido mais amplo. A música original é linda, mas o remix usado no vídeo torna tudo mais intenso e merecedor de aplausos.


4 – Take a bow
A paixão de uma mulher por um toureiro mapeiam esse vídeo filmado na Espanha. As metáforas relacionam uma tourada, um velório e o final do relacionamento entre os dois. Um clipe muito bonito que serviu de prova definitiva para que Madonna conseguisse seu papel no filme “Evita”.
3 – Frozen
O homem por trás de “All is full of love” de Björk, Chris Cunningham, ficou responsável por esse que é dos melhores clipes de Madonna. “Frozen” marca o começo de uma nova fase em sua vida: a maternidade, a Cabala etc. Segundo ela, o vídeo é sobre “a tristeza feminina”. Tinha tudo para dar errado lançar o CD “Ray of light” tendo essa canção como primeiro single (afinal, na época, o que fazia sucesso no mundo pop era Spice Girls). Mas a balada e os efeitos especiais conquistaram as paradas.


2 – Vogue
Também dirigido por David Fincher, ele é totalmente inspirado nas fotos de Horst P. Horst. A famosa coreografia com as mãos foi inspirada numa dança feita em boates gays de Nova York chamada “voguing”. Um charme e, até hoje, lembrada por todos na noite. Clássico!
1 – Like a prayer
O videoclipe foi dirigido por Mary Lambert e deu uma polêmica danada. Mesmo que não cantem assim agora, a música relaciona ações sagradas com outras bem profanas. E o vídeo abusou disso, com Madonna beijando um santo e cruzes pegando fogo. Um decotão e os cabelos escuros marcaram a época e ajudaram o hit a se transformar em um hino.

Vários ótimos ficaram de fora, como “Erotica”, “Material girl”, “Nothing really matters”, “Sorry”, “Beautiful stranger” e “Hollywood”. Veja todos eles aqui. Qual o seu favorito?

As minhas capas preferidas de Madonna

Caso alguém ainda não esteja sabendo, hoje, dia 16 de agosto, é aniversário de Madonna. Para comemorar, estou fazendo vários posts especiais nesta data. Este é sobre uma singela lista das capas mais legais da rainha do pop, segundo a minha opinião, é claro. Vamos lá, escolha sua favorita e comente sobre ela, mesmo que ela não esteja no meu top 5.

5 - Celebration

Não foram tiradas fotos inéditas para promover essa coletânea, mas o artista plástico Mr. Brainwash fez um trabalho pra lá de digno, com referências ao grafiti e à arte que Andy Warhol fez de Marilyn Monroe. Ou seja, reafirmou como Madonna é um ícone de várias gerações em uma capa colorida e que ainda faz uma colagem de trechos de hits da loira. Genial.

4 - Madonna

O primeiro álbum tem uma capa simples e já mostrava a tendência da cantora de mostrar mais o lado esquerdo do rosto nas fotos – não me pergunte o motivo. Foi o visual dessa época que marcou uma geração de wannabes e que está, inclusive, de volta às passarelas.

3 - Like a prayer

Única capa sem nenhum pedacinho do rosto de Madonna. O disco é, basicamente, sobre amor, família e catolicismo. E isso explica a capa, pois para a mãe da cantora – uma católica fervorosa – mulheres que vestiam jeans eram vulgares. “Like a prayer” é o álbum, ou pelo menos o hit, que une todas as gerações de fãs.

2 - Ray of ligth

Com essa linda e simples foto de Mario Testino, Madonna mudou bastante a estética do final dos anos 90. Cabelo cacheado e letras sobre espiritualidade no mundo onde o sucesso pop do momento era Britney vestida de colegial? A aposta deu muito certo e, apesar da pegada eletrônica, as músicas têm tudo a ver com essa capa, que é séria, neutra e calma.

1 - Confessions on a dance floor
Mas nenhuma representa melhor o espírito do disco do que essa. Além das cores serem ótimas – vibrantes e harmoniosas – Madonna aparece ruiva, de costas e de corpo inteiro, ou seja, três coisas inéditas ao mesmo tempo. Isso sem falar que a tipografia virou mania em 2005 e que a parte branca é a letra real da cantora. Uma capa ótima de ficar olhando enquanto ouvimos o CD e que fica bonitona no iPod também!

Qual sua capa favorita?

Madonna's B'day

Madonna. Só ao pronunciar esta palavra eu me sinto ainda mais poderoso. Mesmo como narrador essa palavra mexe com meu ego de forma inexplicável. Foi mal, Angie Jolie, Catherine, a Grande; Madonna é a mulher mais poderosa que já andou sobre a face da terra. E hoje ela completa 52 anos cheia de vitalidade e talento para oferecer à sua legião de fãs mundo afora.


Ela (re)definiu muitos dos conceitos que temos hoje sobre cultura pop e todas que vieram após ela fizeram apenas mais do mesmo. O seu legado transcende a sua música. Madonna, por meio das suas canções, compostas por si ou não, ensinou preciosas lições às mulheres e conseqüentemente a todos os grupos sociais segregados, como os gays, por exemplo. Suas músicas falam sobre poder, liberdade, independência, força, igualdade, inclusão.



Porque sim, Madonna não é só showbizz: desde a década de 1980 ela vem dizendo que mulheres são capazes de qualquer coisa, sim. E o mais importante é que toda a mensagem de Madge nada tem a ver com feminismo. Pelo contrário, é de poder. Mulheres podem aquilo que quiserem. Não há nada de errado em ser a figura sexual, nem a figura materna. Como não há problema em ser ambas, se assim quiserem.


Muito mais que a música, Madonna usou de ideologias que deixaram de se repetir. Falou metaforicamente sobre o sexo antes do casamento em "Like a virgin", deu espaço à cultura latina com "La isla bonita", causou polêmica ao se envolver com um garoto mais jovem ao dar o polêmico selinho no clipe de "Open your heart", falou da liberdade sexual feminina em "Express yourself", criticou a igreja católica em "Like a prayer", fez confissões ao mundo com a bela "Oh father", apresentou ao mundo uma cultura nova, a dança "voguing" com o clipe de "Vogue", lutou contra o puritanismo norte americano criando a era “Erotica”, abriu espaço para a cultura marginalizada dos subúrbios norte-americanos em "Secret", foi experimental e esotérica no álbum “Ray of light”, criticou o governo político norte-americano em um dos momentos mais tensos dos EUA em “American life” e se jogou nas pistas de dança européias com o “Confessions on a dance floor”.



Madonna está muito além das batidas pop que se ouve em seus álbuns (que, aliás, foram mote perfeito para artistas como Kylie Minogue, e cópias como Britney Spears e por que não citar também Lady Gaga, formarem seu conhecimento musical).
Madonna também já tratou do excesso da mídia mundial com o clipe de "Drowned World/ Substitute for Love". Madonna usava do mercado para dar vazão às suas idéias, tornando-se assim um produto a ser consumido por aqueles que procuravam algo para dançar e por aqueles que procuravam com o que refletir.


Madonna lança álbuns que procuram ser distintos do anterior, sempre com uma nova temática e com sucessos diferentes, com novas abordagens, por isso ela está sempre no topo, porque sabe se reinventar, sendo sempre atual, estando sempre no mesmo ritmo que o mundo, mesmo quando está à frente dele. Mesmo que os áureos tempos já tenham passado, alguém já viu um show de Madonna em um estádio não lotar?


Madonna tem tanta consciência de si e de seu trabalho que ironizou a si mesmo em “Human nature” ao falar das críticas que lhe faziam à época. Tudo sempre com muito pop, sucesso e arte, inclusive, lançando moda (cabelos, roupas, cor de cabelo e por aí a dentro - como na polêmica turnê Blond Ambition Tour).


Hoje, completando 52 anos, Madonna continua mostrando que ainda tem muito o que dizer, colocando o Malawi no mapa ao adotar uma criança do país africano, construindo escolas e instituições.


Mil vivas à loura-mor da música internacional. Mil salves à rainha do pop. Vida longa à messalina azteca. Feliz aniversário, MADONNA.