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sexta-feira, 17 de maio de 2013

17 de maio

Faz tempo que não passo por aqui. Muito por causa da minha falta de tempo, mas, sobretudo pela falta de inspiração para escrever. Sou desses bobos que acham que um texto só vale quando tem paixão, quando sangra, quando está vivo. Enfim, não acho que tenha conseguido isto hoje, mas vamos ao que interessa.

 
Primeiro uma boa notícia. Notícia essa que eu realmente não pensei que teria anos de vida suficiente para ler em um Brasil cada vez mais assombrado pelo fantasma do fundamentalismo e fideísmo religioso. Sim, pintosas e caminhoneiras, agora podemos chegar em um cartório acompanhadxs do boy ou da gata e celebrar nosso casamento civil. Ponto para o Brasil e para o CNJ.

 
Agora o motivo dessas mal traçadas linhas. Hoje, 17 de maio, é Dia Mundial de Combate a Homofobia. A data foi escolhida porque foi nesse dia que a Homossexualidade foi excluída da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 17 de maio de 1990, oficialmente declarada em 1992. Por todo o mundo, marchas, beijaços, seminários e uma série de outras atividades são realizadas para conscientizar a todos que a homossexualidade é tão natural quanto respirar.

Ontem, enquanto eu caminhava do trabalho até a academia fui chamado de viado, como acontece, aliás, na maioria dos meus dias e por mais que tentem me empurrar goela abaixo que isso é bobagem eu não acho que tenho que achar que tudo bem um cara me chamar de viado, é normal, esse tipo de ~brincadeira~ sempre existiu e não adianta querer mudar. Pode até não adiantar querer mudar e pode até ser que nunca mude, mas eu não aceito. Apenas.Eu adoro e me orgulho de ser viado. Não me conheci de outra forma, mas não escolhi sê-lo. Acredito até que se fosse mesmo uma questão simples de escolha haveria poucos viados e sapatões no mundo, afinal quem gosta de ser tratado como inferior, doente, aberração, pecador ou seja lá qual for o demérito?

E dentre os direitos que já conquistamos e as muitas lutas que temos pela frente, acredito que ainda há um longo caminho a ser trilhado. Por aqui seguimos nós lutando pelo nosso direito de nutrir afeto independente do que haja entre as penas ou do que se faça com eles. Independente até de para quantas pessoas direcionamos nosso afeto ou atração sexual.

Apesar de ser um romântico incurável, cada dia mais de convenço que não precisa ser a dois para ser certo, para ser legitimado. Embora não me imagine vivendo um poliamor por que estas pessoas não podem ter reconhecida a validade dessa família ainda mais diferente?

Sei que defender o que os fundamentalistas chamariam de “normalidade de Sodoma e Gomorra” beira ao absurdo, afinal, se já é difícil ~aceitarem~ o casamento entre duas pessoas só porque têm o mesmo sexo, imaginem a guerra que não seria querer que os cartórios celebrassem o casamento de três, quatro ou mais indivíduos na mesma relação? Só me incomoda a padronização, a higienização. Qualquer vivência, desde que saudável, deve ser legitimada, independente de quantas pessoas e quais sentimentos (ou a falta deles) estejam envolvidos.

Enfim, há outras tantas baboseiras que eu poderia dizer. É estratégico colocar todo mundo no mesmo saco, padronizar as necessidade para se conseguir acesso a direitos legítimos, mas não podemos transformar essa padronização em nada além que estratégia de luta. Só acho que diversidade sexual está além dos rótulos hétero, homo e bissexualidade. Como disse, se for saudável e de livre e espontânea vontade, que mal tem? Deve ser ótimo ser santa, mas também não há nada de errado em ser puta.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Vencidos pelo cansaço



“Aquilo que o público realmente abomina na homossexualidade não é a coisa em si, mas o fato de ser obrigado a pensar nela.”

E. M. Forster


Pois é. Nós, gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais existimos. Não se sabe ao certo como, quando ou porquê (se é que há uma razão específica) nós nos diferenciamos do restante da humanidade, mas o fato inegável, indiscutível e imutável é que nós existimos. E, sendo assim, temos direito a um lugar ao sol nesta imensidão que é o mundo.
Por muitos e muitos anos nos foi reservado a margem da sociedade. Ser LGBTT só era possível longe dos olhos de todos. Trancado no meu armário eu poderia ser quem bem entendesse, mas em público tínhamos que seguir as regras da sociedade.
Falando assim parece que a realidade mudou, mas nem tanto. Ao passo que cada vez mais gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais se sentem encorajados a deixarem seus armários, e alguns, dessa novíssima geração, sequer chegam a entrar nele, um outro grupo de pessoas cresce no lado oposto querendo nos manter no gueto. Aumentou o número de homofóbicos? Decerto que não, mas cresceu a necessidade de manter o status quo, afinal, quem poderia imaginar que algum dia nós poderíamos adotar crianças e trocar alianças como se fossemos pessoas normais?
Na mente dos donos da bola, nós éramos um incômodo controlado. Todo mundo sabia da nossa existência, alguns até eram nossos amigos, mas nós sabíamos o nosso lugar no mundo. Agora ficamos descontrolados. Lotamos audiências no Congresso Nacional protestando contra pessoas que só querem nos ajudar a ficarmos curados sabe-se lá do quê, nos reunimos em beijaços públicos na porta de lanchonetes que não deixam que nos beijemos tranquilamente, insistimos nessa chatice de transformar em criminosos gente que prefere externar, com socos e pontapés, que não gostam do que fazemos com nossos cus, paus e bocetas, entre tantas outras coisas.
Mas não é só isso. Na verdade, esse mundo está cada vez mais virado. Agora mulheres vão para as ruas reivindicando o direito de serem vadias. Negros precisam ter sua história estudada nas escolas públicas e o nome de Deus e suas representações não mais toleradas em repartições do Estado. Não é mesmo um absurdo tirarem o Seu bom nome das cédulas de Real?
Pois é. Que dias são estes que estamos vivendo? Onde vamos parar? O que deu em nós, viados, vadias, travecos, pretos, filhos de Satanás e tantos outros que passamos todo esse tempo vivendo em paz com Brunos, Diegos, Lobos e Malafaias, sem reclamar dos tapinhas e das piadas, para que provoquemos toda essa barulheira?
Todos os dias, pela manhã, eu cumpro o mesmo ritual. Saio de casa por volta das 7h para ir trabalhar. Pego ônibus sempre no mesmo ponto, que fica logo após a travessia de uma avenida, a 200 ou 300 metros da minha casa. E pelo menos uma vez por semana alguém que passa encastelado em seu carro ri e aponta de mim fazendo alguma piadinha com o fato de eu ser gay. Eu sou pintosa, daí sabem como é, néam? Basta me olhar para dizer “esse é viado”. Eu mal tenho tempo de esboçar qualquer reação.
Na maioria das vezes eu ignoro, afinal o cara passou de carro e não há nada que eu possa fazer, pois segundo depois de gritar um “Ê, bicha”, ele já vai longe do ponto de ônibus, mas algumas vezes, quando estou cansado demais e o engarrafamento está mais lento eu mostro o dedo do meio. Pois é, acho que todos nós, os Andrés segregados deste imenso Brasil estamos cansados demais para abaixar a cabeça e seguirmos nosso caminho.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Não basta ser gay, tem que participar!



Há quase três anos eu desenvolvo, ainda que de forma tímida, um trabalho de militância LGBT independente de quaisquer entidades, organizações e partidos políticos. Tudo é feito aqui no blog e nos meus perfis nas redes sociais. Além dos textos que posto aqui e dos comentários que faço no Twitter e no Facebook, eu leio o que posso sobre a questão LGBT no país e no restante do mundo e como é duro constatar que o Brasil, entre os países ocidentais, ainda tem um longo caminho pela frente.

Não dá para negar que fizemos muitos avanços nesses pouco mais de 30 anos em que o movimento LGBT brasileiro tomou corpo de fato. O Somos, primeiro grupo em defesa dos direitos de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros brasileiros foi fundado em 1978 e de lá para cá tivemos desde a retirada do “homossexualismo” da classificação de doenças pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) até o reconhecimento davalidade das uniões estáveis homoafetivas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 5 de maio do ano passado. Apesar disso, o Brasil ainda está na lanterna no que concerne à concessão de direitos à população LGBT. Alguns dos nossos vizinhos, como Argentina e Chile possuem legislações mais avançadas que a nossano que diz respeito aos cidadãos homossexuais, bissexuais e transgêneros.

O motivo? Principalmente a falta de compromisso do Governo Federal com esta parcela da população que, declaradamente, segundo último censo, soma mais de 19 milhões de brasileiros, além de um Congresso Nacional praticamente arrendado à mesquinhez do conservadorismo. O Movimento LGBT no país se partidarizou de tal forma que estáse enforcando. As entidades oficiais, que deveriam representar e defender as demandas da população LGBT estão fazendo o papel inverso e se tornando porta-voz do Governo. É preciso repensar urgentemente o movimento no Brasil sob pena de estancarmos ou darmos passos para trás na busca pelos nossos direitos.

O Movimento LGBT cresceu, mas ao mesmo tempo ele está disperso. Como sabemos, há muitos interesses em jogo e é gritante que os partidários (e eu afirmaria até mesmo financeiros) estão falando mais alto, por isso, me pergunto se não é hora também de incluirmos na nossa agenda demandas como a reforma política, ainda que seja nos aliando cada vez mais com outros grupos sociais e políticos cujos interesses convirjam para o mesmo fim. Quantos desses fundamentaloucos teocratas que estão atravancando não só os nossos direitos se elegeram por que de fato tiveram um número de votos significativo ou por que suas legendas foram infladas pela ondaconservadora que anda tomando conta do país e que estará ainda mais fortalecida em 2014? Acredito sim que as próximas eleições majoritárias vão consolidar todo o cenário que está sendo desenhado atualmente, mas acredito também que ainda podemos mudar este cenários nesse pouco mais de um ano e meio restante.

Mas hoje, neste 17 de maio, dia em que é celebrado mundialmente o combate à homofobia, não quero falar dos direitos que ainda nos são negados ou da inoperância governista. Hoje eu quero falar daquilo que nós podemos fazer para fortalecer a luta e garantir o exercício dos nossos direitos. não há leis que nos proíbam de sermos homossexuais, de casarmos, adotarmos crianças entre tantas outras coisas, portanto, partindo do pressuposto de que se não é negado, permitido está, nossos direitos estão aí. O que nos faltam são instrumentos que permitam exercê-los em sua plenitude.

Somos nós que sabemos quais as nossas reais necessidades enquanto cidadãos. Eu, por exemplo, só queria não ter que entrar com um processo judicial para poder me casar. Nós é que somos convidados a nos retirar dos lugares pelo nosso comportamento inadequado. Eu também acho um absurdo namorad@s se beijarem na fila do Bob’s. Nós é que temos camarote VIP no inferno. Quem mandou se deitar com outro homem como se fosse uma mulher? Nós é que levamos na bolsa as fluorescentes com as quais apanhamos nas ruas. Para a maioria dos homofóbicos, nós, gays, bissexuais, travestis e transexuais gostamos de nos vitimizar e, por isso, queremos privilégios.

Certo, mas se nós sabemos muito bem tudo isso, o que temos feito para mudar a realidade? Sim, eu estou defendendo que não basta ser gay, tem que participar. E não é preciso colocar um banner com as cores do arco-íris no seu perfil no Facebook ou empunhar uma bandeira com as cores do arco-íris e ir às ruas. Basta sair de cabeça erguida na rua não dissimulando qualquer comportamento. Seja você, sendo chamado de bichinha ou admirado pela sua coragem se assumir um relacionamento homoafetivo. Eu acredito que sair do armário é o maior ato político que um LGBT pode fazer por si, pelos seus iguais.

Independente do que ocorra, coloque a sua demanda na linha de frente. Não é seu partido político, sua família ou sua cantora preferida que tem que dizer qual a sua dificuldade, mas você, nós. Sem pontes. É a base chegando direto ao teto. Sou eu, mais um viadinho entre tantos mostrando à Presidência da República que eu continuo sendo tratado como mais um viadinho entre tantos enquanto quem em discrimina continua se sentido à vontade e forte o suficiente para esconder debaixo das minhas unhas as lascas de pele que ele arrancou de mim.

O Movimento LGBT não é, nem deve ser feito apenas por ONGs, entidades, grupos, partidos, campanhas, canções. Estes são fortes e ajudam sempre que fazem da demanda da população LGBT a sua bandeira de luta. No entanto, nossa luta tem que ser feita, sobretudo nas ruas, diariamente, por maiores que sejam as dificuldades. Sempre haverá um LGBT sofrendo discriminação, mas por outro lado também sempre haverá outro lutando pelos direitos dos dois. Enquanto houver um, a luta continua, em todos os sentidos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Só o que interessa

A foto é do blog PASSANDO NA HORA.COM

Contardo Calligaris em seu texto "A marcha dos pinguins e a origem da moral" diz que a moral não surge de forma natural, como na benevolência dos animais sugerida por muitos pensadores, mas da capacidade do ser humano de se colocar no lugar do semelhante, e fazer com que as experiências do outro enriqueça a sua.

Bem, vamos ao que interessa:


Caio Castro não foi a primeira personalidade a proferir alguma declaração idiota sobre homossexualidade. Eu realmente não acho que ele tenha sido homofóbico, embora haja, sim, preconceito na sua frase, pois quando se prefere algo se pretere outro e se preferimos um é porque que ele é melhor, logo, o outro deve ser inferior. Simples. Ele é um cara de 22 anos. Então, está mais para um jovem imbecil que sai falando e fazendo merda por aí. Todo mundo conhece pelo menos um do tipo, às vezes, faz parte da nossa própria família.


- Estou me sentindo abalado. Gestos como aquele não podem se repetir no Acre e no Brasil, disse o deputado Ney Amorim (PT/AC).

Vamos lembrar alguns gestos que se repetem todos os dias no Brasil, Excelências?

Um pouco mais de tempo e pesquisa, poderia pôr aqui um link diferente de alguma notícia de violência de todo tipo cometidas contra LGBTs no Brasil que tenham sido publicadas em cada um dos últimos 30 dias deste mês.

O fato é que enquanto deputados acreanos vociferam contra uma simulação de sexo oral feita por um gay em um pênis de borracha, todos os dias, em todo o Brasil, incluindo o Acre, homossexuais, bissexuais, travestis e transexuais são agredidos, violentados, assassinados, humilhados, tolhidos dos mais diversos direitos. Evocam a moral para atacar o casal que protagonizou essa "agressão à família brasileira". Que moral é essa que se choca mais com um ato obceno que com a morte de pessoas por puro preconceito.

Pior, o ato inconsequente, que eu classifico como banal, de uma pessoa para criminalizar toda uma comunidade. Eu realmente acredito que as Paradas Gays perderam muito, nos últimos anos, a sua proposta política inicial, mas o mesmo ocorreu com manifestações realizdas por diversos outros segmentos sociais. Nada mais natural. Se a sociedade mudou, claro que a forma de organização, reinvidicação, manifestação sofrerá os reflexos dessa mudança, mas isso não desqualifica a marcha.

Toda essa ofensa só por que alguém decidiu chupar um pau de borracha? Senhores, todos os anos, milhões de brasileiros se reúnem durante uma semana para a maior festa nacional, o Carnaval. De sexta a terça-feira, o que não faltam são pessoas peladas e ou andando pelas ruas com objetos obcenos. Por que a família não se sente ofendida? Por acaso a permissividade está liberada durante os dias de Momo? Dois pesos, duas medidas, é essa a moral que os ofendidos tanto gostam de vociferar? Será se não existem problemas mais urgentes, ou de fato, para serem discutidos pela bancada acreana?


Enfim, tuso isso é só para nós nos perguntemos o que realmente nos interessa? A babaquice de um cara qualquer que sai comendo toda mulher que dá mole para ele só para não ter "fama de viado"? A inconsequencia de um cara mais animado na Parada Gay que achou por bem fazer uma "gravação fake"? Ou evitar que nossos diretos continuem sendo tolhidos?

Não há problema em se revoltar contra os Caios Castros da vida. O foda é que para muitos de nós, o sentimento de revolta só aparece quando o artista dos quais somos fãs falam alguma merda como essa. Hoje mesmo ouvi que "o Caio Castro é tão bonito que nem me importo com o que ele disse". Puta que pariu! O mundo não vai acabar por causa do que ele disse, fato, mas também não podemos relevar. Toda forma de preconceito precisa ser combatida, por menor que seja ela.

Com relação aos deputados 'fundamentalisto-religiosos-acreanos' o que se tem que fazer é combater essa tendência teocrata que o Brasil vive desde 2010. Eles só fazem o que fazem porque têm poder para isso. Poder (voto) este, dado por muitos LGBTs, inclusive, que colocam a questão social abaixo da partidária. Se demos munição para o bandido, é claro que ele vai nos agredir.

Então, aproveitando que está todo mundo revoltado por causa do Caio Castro, vamos usar o ensejo de mais essa demonstração do que será o futuro teocrata brasileiro e investir alguns desses minutos que gastamos todos os dias lendo fofocas sobre quem está ou querendo sair do armário entre o elenco de Amanhecer e votar contra a PEC da Teocracia. Reforcemos e insistamos cada vez mais na criminalização da homofobia, pelo direito ao casamento civil, à adoção.

Para os que não são preconceitusos, mas... façam, sim, uso da moral, mas não esqueçam que ela e a ética são irmãs siamesas.

Somos nós que temos que dar o exemplo e mostrar a eles o que realmente nos interessa. Revolução acrítica pode ser tudo, menos revolução de fato.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Orgulho LGBT: porque tê-lo?

Em 28 de junho de 1969 acontecia em Nova Iorque (EUA) um evento que ficou internacionalmente conhecido como a “Rebelião de Stonewall”. O conflito foi um conjunto de episódios de embate violento entre gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros e a polícia de Nova Iorque.


Stonewall foi um marco por ter sido a primeira vez que um grande número do público LGBT se juntou para resistir aos maus tratos da polícia para com a sua comunidade e é hoje considerado como o evento que deu origem aos movimentos de celebração do orgulho gay, pois no dia 1 de julho de 1970, quando foi lembrado um ano do ocorrido, aconteceu uma marcha que reuniu centenas de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros. A marcha é tida como a precursora das atuais Paradas do Orgulho LGBT.

Por ser uma data cheia de significados, o 28 de junho é celebrado como Dia do Orgulho LGBT. Essa semana discutiu-se muito sobre o Orgulho LGBT e até mesmo o Orgulho Hétero ganhou o topo dos Trending Topics Brasil – lista em tempo real dos assuntos mais comentados no Twitter. Com isso houve quem reclamasse da “pretensão” da comunidade LGBT em levantar tanto a bandeira do Orgulho Gay e da mesma forma houve quem discordasse da atitude dos twitteiros héteros de plantão em manifestar orgulho da sua orientação sexual.

Pois bem. Vou falar algo óbvio. Mas tem gente que parece sofrer de carência interpretativa ou apenas faz questão de não somar 2 e 2. Claro que qualquer pessoa pode e deve sentir orgulho de si, do que é e possui, desde que, obviamente, isso não represente qualquer tipo de violência contra qualquer pessoa. E é justamente essa questão que as pessoas parecem não compreender.

Orgulho LGBT é um conceito segundo o qual gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros devem ter orgulho da sua orientação sexual e identidade de gênero. A palavra ‘Orgulho’ é usada neste caso como um antônimo de ‘Vergonha’. Ainda hoje o sentimento de vergonha é utilizado para oprimir indivíduos LGBT, pois desde criança somos estimulados a pensar que apenas a heterossexualidade é a orientação sexual honesta, correta, natural. Orgulho neste sentido é uma afirmação de cada indivíduo e da comunidade como um todo.

Imagina crescer ouvindo que ser gay é demérito, é doença, é pecado, é abominável, é vergonhoso, é nojento, é criminoso, é humilhante. Por que alguém iria querer ser isso? Mas acontece que eu não escolhi ser gay. Eu nasci gay. Na minha adolescência, enquanto alguns meninos desejavam as meninas, eu desejava outros meninos.

Mas eu não queria ser gay. E por quê? Por que eu tinha vergonha de ser gay. Somente quando eu senti orgulho de quem sou é que eu me senti pleno e pude viver sem me sentir culpado, sem o medo de ser penalizado pela família, pelos amigos, pela sociedade.

O orgulho LGBT é antes e acima de tudo um sentimento de auto-aceitação. Nenhum gay ‘sai do armário’ se não tiver orgulho de si e sair do armário é o momento mais difícil da vida de um homossexual, pois é você contra o mundo. É o mundo, e muitas vezes isso inclui sua família e amigos, virando as costas para você.

Então por que insistimos nessa de orgulho gay se temos que lidar com as piadinhas na escola, no trabalho, nas ruas? Por que sentimos orgulho de sermos apontados na rua sob risos e comentários de “lá vai a bichinha!”. Por que sentimos orgulho de passar por uma série de constrangimentos só porque alguém acha que gays não tem direito aos mesmos direitos que ‘as pessoas de bem’?

Sentimos orgulho justamente por isso. Porque não é fácil acordar todas as manhãs tendo a certeza que alguém vai tentar te deixar para baixo só porque você é gay e ainda assim ter ânimo para pôr a cara na rua. Temos orgulho da nossa força e da nossa capacidade de sermos felizes apesar de tanta torcida contra.

O fato é que a maioria das pessoas que levantam a bandeira do 'Orgulho heterossexual' quer ver a homossexualidade de volta ao gueto; não mais. Um forte abraço a todos os LGBTs que sentem orgulho de si todos os dias e força àqueles que ainda não fizeram seu Stonewall, um dia vocês também vão conseguir.

terça-feira, 17 de maio de 2011

17 de maio - muito a celebrar e muito a resistir

Entre os anos de 1948 e 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificava a homossexualidade como um transtorno mental. Neste período, usava-se o termo “homossexualismo” para referir-se à orientação sexual de uma pessoa. Vale ressaltar que o sufixo “ismo” significa “doença”, uma “patologia”. Há exatos 21 anos, ou seja, em 17 de maio de 1990, a Assembléia Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou e oficializou a retirada do Código 302.0 (Homossexualismo) da CID (Classificação Internacional de Doenças), e declarou oficialmente que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio”.


A partir deste fato histórico o Movimento LGBT Mundial tem priorizado a propagação em todo o mundo do termo “homossexualidade” em vez de “homossexualismo”. Por esta razão, o dia 17 de maio tornou-se uma data simbólica e histórica para o Movimento LGBT.
Em meio à celebração, havia o ódio. Desafios à cidadania de lésbicas e gays no Brasil.

por Luiz Mello [1]

Neste Dia Mundial de Combate à Homofobia, 17 de maio, as manifestações que ocorrem em diferentes partes do Brasil têm algo muito significativo a celebrar, depois de mais de 30 anos de luta do movimento LGBT: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconhece os casais homossexuais como entidades familiares.

Mas esta comemoração não se dará de maneira integral, já que a mais recente tentativa de aprovar o Projeto de Lei nº 122, que prevê a punição da homofobia e tramita no Congresso Nacional há mais de dez anos, foi inviabilizada pela atuação de parlamentares que entendem ser este projeto uma ameaça ao direito de se condenar a homossexualidade a partir de argumentos bíblicos.

E isso ocorre num contexto em que a relatora do Projeto, Senadora Marta Suplicy, já havia anunciado publicamente que acrescentaria uma emenda ao texto em discussão, de forma a garantir o direito dos religiosos de condenarem a homossexualidade, sem serem punidos pela lei.

Claro que a tentativa de chegar a um acordo que viabilize a aprovação do projeto por esse caminho é um absurdo total, já que descaracteriza por completo o alcance da lei (basta imaginar uma lei de combate ao racismo e ao machismo que assegure o direito de se condenar negros, judeus e mulheres a partir de argumentos religiosos).

Mas nem isso foi o bastante para estancar a ira santa dos defensores de uma sociedade que nega o direito de existência a pessoas não heterossexuais. Que estes embates, pelo menos, sirvam de lição: contra a homofobia radical não há diálogo possível.

Neste contexto, as perguntas sem respostas são muitas: por que tanto ódio em relação a homossexuais, travestis e transexuais? Qual o crime cometido por essas pessoas ao se relacionarem afetiva e sexualmente com outras de seu próprio sexo e/ou cruzarem as fronteiras de gênero? Qual a ameaça que representam para a ordem social vigente? Como ainda é possível existir respaldo social para o fato de pessoas LGBT serem sistematicamente humilhadas em público, cerceadas em seu direito de ir e vir, impedidas de demonstrar seus afetos publicamente e tratadas como párias e alienígenas em suas próprias sociedades?

É para superar essas situações de grave violação de direitos humanos que se definiu o dia 17 de maio como um marco no combate à homofobia. Não nos esqueçamos de que mais de 80 países ainda punem práticas homossexuais com penas que variam de multa à prisão perpétua e morte, e de que no Brasil dezenas de travestis e homossexuais são assassinados cotidianamente com requintes de crueldade.

Apesar de tudo, comemoremos: pela primeira vez no Brasil pessoas homossexuais denunciam situações de preconceito, violência e discriminação ao mesmo tempo em que seus direitos conjugais são reconhecidos pelo Estado de maneira irrevogável. Agora, mais que nunca, lésbicas e gays poderão sair do armário e viver suas vidas à luz do dia, sem vergonha e medo de amar pessoas do mesmo sexo.

Infelizmente, ainda devem se proteger do potencial recrudescimento de práticas homofóbicas no futuro imediato, dada a intolerância dos que não se conformam com o fim dos privilégios dos heterossexuais, já que daqui para frente os direitos relativos à conjugalidade - e também os deveres, diga-se de passagem - são de todos.

Por incrível que possa parecer para algumas pessoas, desde o dia da decisão do STF, o mundo segue em sua mesma rotina ancestral: o sol nasce e se põe como de costume, o dia continua a ter 24 horas, as plantas crescem e as aves cantam. Mas, seguramente, em nossa sociedade houve uma mudança profunda: somos mais livres para viver o desejo e o amor entre adultos, de quaisquer sexos, sabendo que nossos vínculos conjugais serão cada vez mais respeitados.

[1] Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Pesquisador do Ser-Tão, Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade, da Universidade Federal de Goiás. Leia mais notas de Luiz Mello AQUI.
























quarta-feira, 16 de março de 2011

30 idéias para ajudar a causa LGBT

Todos os dias milhares de gays em todo o mundo sofrem preconceito. Alguns reagem outros nem sempre e muitos se calam. Mas calar é consetir que esse tipo de absurdo continue acontecendo por muitos e muitos anos, além de reforçar a ideia que nós, LGBTs, merecemos apenas o gueto. Porém o que nós queremos mesmo é o vento livre no rosto, não é?

Só que adoramos dizer que a sociedade nos reprime e nem sempre fazemos algo para mudar isso. Nós TAMBÉM somos responsáveis por parte desse tratamento excludente que sofremos e podemos ajudar a mudar essa realidade com atitudes simples.

Pois bem, uma galera que assim como nós só quer ser feliz, pensou em 30 sugestões viáveis, realistas, que podem sair do papel e ser incorporadas ao cotidiano, baseados naquilo que conhecem e vivenciam. Então, bee, leia tudo com carinho, escolha aquelas em que você pode fazer a diferença e se joga.

ASSUMA-SE (autoestima, orgulho e aceitação)

1) Sair do armário pode ter um custo na vida pessoal que deve ser avaliado. Mas também pode trazer benefícios. O fim das mentiras é sempre um alívio. Vencido o estranhamento inicial, suas relações ficam mais próximas, profundas e autênticas, com parentes e amigos gostando de quem você é de verdade. Além disso, você faz sua parte para que a sociedade assimile melhor a diversidade, ao mostrar a ela referências diferentes dos estereótipos. Pense nisso e tome sua decisão, no momento oportuno e para as pessoas que julgar adequado (você não precisa dividir sua intimidade com todo mundo).

2) Dê apoio àquele(a) amigo(a) que saiu ou foi retirado(a) do armário. Mesmo se foi uma decisão precipitada ou as conseqüências foram desastrosas, jamais lamente ou critique. Um e-mail, um telefonema, um convite para um café (ou, em casos extremos, uma mãozinha para conseguir um novo lar ou um novo emprego), são boas maneiras de ajudar.

3) Não tenha medo de andar de mãos dadas, beijar e fazer as mesmas carícias que outros casais podem trocar em locais públicos. Ninguém tem o direito de pedir que você pare de fazer aquilo que é permitido aos demais. Expressar seu carinho não significa agredir ninguém e você não precisa ficar constrangido por isso.

4) Da próxima vez que você ouvir uma piada escrota ou um comentário maldoso contra homossexuais, não finja que acha natural, muito menos engraçado. Avalie quem são seus interlocutores e, se você achar que vale a pena, mostre que essas visões são fundadas em preconceitos e ideias inadequadas. Muitas vezes, o problema é de falta de informação (o que também vale para quem fala em “homossexualismo” e “opção sexual”). Você pode ajudar a mudar a mentalidade sem se tornar um patrulheiro chato.

5) Não semeie o preconceito interno. Você pode preferir alguns estilos, tribos ou grupos, com quem tem mais afinidade. Mas isso não lhe torna melhor do que os “afeminados” (ou as “masculinizadas”), pobres, nordestinos, negros ou gordos, nem lhe dá o direito de desprezá-los ou humilhá-los. Não faz sentido gays falarem mal de travestis, travestis falarem mal de lésbicas, lésbicas falarem mal de gays…

6) Exerça seu poder de consumidor. Boicote produtos e serviços oferecidos por empresas com posturas homofóbicas ou propagandas preconceituosas. O mesmo vale para programas de TV que ridicularizam homossexuais. Por outro lado, prestigie estabelecimentos que simpatizem com a causa – mas tente diferenciar os que são genuinamente friendly daqueles que não passam de oportunistas de plantão.

DEFENDA-SE (consumo, preconceito e justiça)

7 ) Você viu alguém levando um “coió”, sofrendo violência física? Chame a polícia imediatamente. Seja solidário e preste todo tipo de socorro à vítima que estiver ao seu alcance, sem se colocar em perigo. E testemunhe em favor do ofendido, caso ele decida prestar queixa. Pesquisas apontam que boa parte dos LGBTs que sofrem violência não relata o ocorrido a ninguém. Mas denunciar é a única maneira de atacar o problema e combater a impunidade.

8 ) Se você sofrer preconceito, discriminação e/ou violência em razão da sua sexualidade em qualquer lugar público, não se cale: denuncie. Quem está em São Luís (MA) pode contar com a ajuda do Núcleo Especializado de Defesa da População LGBT. Pesquise se na sua cidade ou estado se há leis contra a discriminação ou mesmo órgãos e delegacias especializados. Mesmo se não houver, o Ministério Público está em todo lugar e pode ajudar. Existem ONGs que podem ajudá-lo no contato com as autoridades.

9) Sofreu perseguições, humilhações, foi despedido por conta da sua orientação sexual? Reúna provas e testemunhas (ambas são indispensáveis!), procure um advogado e corra atrás dos seus direitos. Para quem não tem condições financeiras de bancar um advogado, a Defensoria Pública presta assistência jurídica gratuita e tem defensores especializados em LGBTs. O processo judicial levará tempo, mas a vitória proporcionará a reparação dos danos e ainda servirá de exemplo – para quem sofre processar, e para quem persegue pensar duas vezes.

10) Quando você se deparar com um site ou qualquer outra manifestação homofóbica na internet, denuncie à SaferNet. Faça o mesmo quando encontrar algo sexista, racista ou preconceituoso contra qualquer outra população.

11) Leia jornais e/ou assista ao noticiário na TV. Mantenha-se informado sobre o que acontece na sua cidade, no seu país, no mundo – e não apenas no meio gay.

ORIENTE-SE (informação e política)

12) Procure conhecer a história dos políticos em quem você pensa em votar. Você pode escolher candidatos mais comprometidos com os interesses da causa LGBT – e ajudar a evitar que outros militem contra nós e fechem portas importantes. Mas não vote em alguém só porque ele é homossexual ou aproveita para fazer palanque nas manifestações e depois some.

13) Saiba quais são os projetos de lei de interesse LGBT que aguardam votação: o que eles preveem e como eles podem mudar a sua vida.

14) Acompanhe a atuação dos parlamentares em quem você votou no que se refere às ações contra a homofobia. Pesquise se eles integram a Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT. Comunique-se com deputados ou senadores e cobre deles apoio aos projetos e compromisso com a cidadania LGBT.

15) Registre seu apoio ao PLC 122 (que criminaliza atitudes homofóbicas em todo o território nacional) através do Alô Senado, um serviço telefônico que permite que cidadãos se manifestem sobre iniciativas em trâmite no Congresso. Basta ligar para 0800 61 22 11 e pedir que senadores do seu estado, em especial aqueles que fazem parte da Comissão de Assuntos Sociais, votem pela aprovação do projeto. Se você não sabe quem são os senadores do seu estado, a telefonista poderá informar. A operadora vai solicitar dados pessoais, mas não se preocupe: isso é apenas para evitar que uma mesma pessoa faça várias ligações. É seguro e gratuito. O mesmo pode ser feito por meio do site.

 

ENGAJE-SE (participação social e voluntariado)

16) Manifeste suas convicções para o mundo. Pode ser abrindo um blog, com temas de interesse político de LGBT, ou mesmo escrevendo uma carta a uma revista de grande circulação ou ao jornal da sua cidade. Opiniões favoráveis aos nossos direitos precisam ser ouvidas pela sociedade.

17) Colabore com pesquisas sobre LGBT, seja sobre saúde, direitos, violência ou qualquer outro tema. Para que as autoridades tracem políticas públicas, elas precisam conhecer melhor nossa população.

18) Considere a ideia de fazer algum tipo de trabalho voluntário. Há muitos segmentos que precisam de ajuda, dentro e fora do universo LGBT.

19) Existem muitas ONGs organizadas para defender interesses da população LGBT. Tenha um pouco de curiosidade e disposição e procure conhecê-las. Informe-se sobre os projetos, divulgue suas campanhas, atividades e iniciativas.

20) Preste ajuda financeira a ONGs, casas de apoio ou iniciativas pró-LGBT cujo trabalho você conheça. Para conseguir mais doações, faça um jantar ou festa e peça aos amigos para trazerem dinheiro, no lugar do presente. Se você tem uma boate, bar ou similar, uma maneira de colaborar é escolher um dia por ano e destinar uma parte da renda que faturar.

21) Pense também em outras formas de auxílio material, além de dinheiro. Casas de apoio recebem doações de roupas, móveis, utensílios e até produtos de limpeza. Ou a cesta básica que você recebe no trabalho e não utiliza. Ou aquele computador velho que você encostou quando comprou um mais moderno.

22) Ofereça-se para traduzir textos dos sites de instituições pró-LGBT para o inglês, o espanhol, o francês ou outras línguas que você conheça. Você não precisa sair de casa, não gasta nada e faz um trabalho que custa caro para a maioria das entidades.

23) Colabore oferecendo algumas horas semanais do seu trabalho. Conforme o seu ramo de atividade, você pode prestar assessoria jurídica a uma ONG, ou atendimento psicológico a pacientes convivendo com o vírus HIV/AIDS, ou desenvolver quaisquer outros trabalhos na sua especialidade. Seja criativo e pense em como aproveitar sua formação para colaborar com a causa.

24) Se você é homem, relaciona-se com outros homens e não contraiu o vírus HIV, ofereça-se para participar do IPrEx. É uma pesquisa em escala global para testar um medicamento usado no tratamento de soropositivos e descobrir se ele é eficaz para evitar o contágio. O estudo é conduzido pelo Hospital das Clínicas (São Paulo) e pelo Instituto de Pesquisa Evandro Chagas da Fiocruz (Rio de Janeiro). Outras pesquisas sobre vacinas e medicamentos devem ser implementadas até a obtenção de resultados no combate ao HIV. Todas merecem sua atenção.

25) Sexo seguro é uma opção pessoal, cuja responsabilidade é de cada um. Não se baseie em aparências ou presunções – elas enganam. A decisão de abrir mão do preservativo em um relacionamento precisa ser muito bem pensada pelos dois parceiros, e nenhum deles deve pressionar o outro na negociação. Se você fez esse pacto e depois se expôs a uma situação de risco, não deixe tudo como está: reintroduza o sexo seguro na relação, faça os exames e repita-os após 3 meses e 6 meses. Não exponha o parceiro que confiou a saúde a você.

CUIDE-SE (sexo, drogas e outras travessuras)

26) Busque informações sobre todas as doenças sexualmente transmissíveis. Não se preocupe apenas com o HIV e a AIDS. Há outras DSTs cujo contágio se dá com muito mais facilidade, sem necessidade de troca de fluidos entre os parceiros. Conheça os sintomas internos e externos e lembre-se de que prevenir é bem melhor do que remediar. Por essa mesma razão, fazer exames sorológicos periodicamente (sobretudo de HIV e hepatites) também é uma boa ideia. Não existe vacina para a hepatite C, mas, para a A e para a B, sim. Em alguns casos, essas vacinas são disponibilizadas gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

27) Vai sair para fazer uma pegação básica? Ande com algumas camisinhas a mais no bolso, e distribua para os colegas que necessitarem. Qualquer posto de saúde fornece preservativos gratuitamente. Saunas também.

28) Foi flagrado fazendo pegação em um parque, banheiro ou qualquer outro lugar público? Você deve saber que cometeu uma infração. Mas esse delito é considerado como de menor potencial ofensivo. Pelo caminho correto, você será conduzido à delegacia (jamais mantido em cárcere privado numa “salinha da segurança”, muito menos agredido fisicamente!), será lavrado um termo circunstanciado e você responderá, em liberdade, a um procedimento no Juizado Especial Criminal, que costuma resultar em condenação ao pagamento de cestas básicas. Lembre-se que a polícia tem corregedoria e ouvidoria para investigar abusos. Mesmo tendo cometido uma infração, você possui direitos que devem ser respeitados.

29) Antes de pensar em ingerir drogas, anabolizantes ou medicamentos pesados, informe-se sobre os efeitos, riscos e conseqüências do uso de cada uma dessas substâncias, e passe essas informações adiante sempre que puder. O responsável pelos seus atos não é o seu amigo, o atendente da farmácia ou o professor da academia, muito menos o traficante – e sim você, somente você.

30) E NUNCA ESQUEÇA: Por mais que existam piadas, comentários, opiniões e até religiões reforçando o preconceito e a homofobia e tentando esculhambar os homossexuais, lembre-se de que a sua orientação sexual não vale menos do que as demais, nem é motivo de vergonha. Você não é melhor ou pior do que os outros (muito menos sujo, pecador, culpado ou doente) por ser homo, bi ou heterossexual. Sua sexualidade é apenas mais um detalhe sobre você, assim como a cor dos seus olhos.