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sexta-feira, 17 de maio de 2013

17 de maio

Faz tempo que não passo por aqui. Muito por causa da minha falta de tempo, mas, sobretudo pela falta de inspiração para escrever. Sou desses bobos que acham que um texto só vale quando tem paixão, quando sangra, quando está vivo. Enfim, não acho que tenha conseguido isto hoje, mas vamos ao que interessa.

 
Primeiro uma boa notícia. Notícia essa que eu realmente não pensei que teria anos de vida suficiente para ler em um Brasil cada vez mais assombrado pelo fantasma do fundamentalismo e fideísmo religioso. Sim, pintosas e caminhoneiras, agora podemos chegar em um cartório acompanhadxs do boy ou da gata e celebrar nosso casamento civil. Ponto para o Brasil e para o CNJ.

 
Agora o motivo dessas mal traçadas linhas. Hoje, 17 de maio, é Dia Mundial de Combate a Homofobia. A data foi escolhida porque foi nesse dia que a Homossexualidade foi excluída da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 17 de maio de 1990, oficialmente declarada em 1992. Por todo o mundo, marchas, beijaços, seminários e uma série de outras atividades são realizadas para conscientizar a todos que a homossexualidade é tão natural quanto respirar.

Ontem, enquanto eu caminhava do trabalho até a academia fui chamado de viado, como acontece, aliás, na maioria dos meus dias e por mais que tentem me empurrar goela abaixo que isso é bobagem eu não acho que tenho que achar que tudo bem um cara me chamar de viado, é normal, esse tipo de ~brincadeira~ sempre existiu e não adianta querer mudar. Pode até não adiantar querer mudar e pode até ser que nunca mude, mas eu não aceito. Apenas.Eu adoro e me orgulho de ser viado. Não me conheci de outra forma, mas não escolhi sê-lo. Acredito até que se fosse mesmo uma questão simples de escolha haveria poucos viados e sapatões no mundo, afinal quem gosta de ser tratado como inferior, doente, aberração, pecador ou seja lá qual for o demérito?

E dentre os direitos que já conquistamos e as muitas lutas que temos pela frente, acredito que ainda há um longo caminho a ser trilhado. Por aqui seguimos nós lutando pelo nosso direito de nutrir afeto independente do que haja entre as penas ou do que se faça com eles. Independente até de para quantas pessoas direcionamos nosso afeto ou atração sexual.

Apesar de ser um romântico incurável, cada dia mais de convenço que não precisa ser a dois para ser certo, para ser legitimado. Embora não me imagine vivendo um poliamor por que estas pessoas não podem ter reconhecida a validade dessa família ainda mais diferente?

Sei que defender o que os fundamentalistas chamariam de “normalidade de Sodoma e Gomorra” beira ao absurdo, afinal, se já é difícil ~aceitarem~ o casamento entre duas pessoas só porque têm o mesmo sexo, imaginem a guerra que não seria querer que os cartórios celebrassem o casamento de três, quatro ou mais indivíduos na mesma relação? Só me incomoda a padronização, a higienização. Qualquer vivência, desde que saudável, deve ser legitimada, independente de quantas pessoas e quais sentimentos (ou a falta deles) estejam envolvidos.

Enfim, há outras tantas baboseiras que eu poderia dizer. É estratégico colocar todo mundo no mesmo saco, padronizar as necessidade para se conseguir acesso a direitos legítimos, mas não podemos transformar essa padronização em nada além que estratégia de luta. Só acho que diversidade sexual está além dos rótulos hétero, homo e bissexualidade. Como disse, se for saudável e de livre e espontânea vontade, que mal tem? Deve ser ótimo ser santa, mas também não há nada de errado em ser puta.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Direitos e deveres de profissionais do sexo LGBTs em São Luís são discutidos em Seminário

Segundo dados da Rede Brasileira de Profissionais do Sexo, São Luís possui 1.602 garotas de programa, além dos homens e travestis que também desempenham essa profissão. Os riscos do trabalho desses profissionais, bem como seus direitos e deveres foram discutidos no IV Seminário Estadual e Municipal de Políticas Públicas para Profissionais do Sexo Masculino e Feminino, realizado ontem em São Luís.

A profissão é regulamentada pelo Código Brasileiro de Ocupações (CBO) que não faz distinções quanto ao gênero ou sexualidade do prestador do serviço. Segundo o Código, os profissionais do sexo são aqueles que buscam programas sexuais; atendem e acompanham clientes; participam em ações educativas no campo da sexualidade. As atividades devem ser exercidas seguindo normas e procedimentos que minimizam a vulnerabilidades da profissão.

O CBO descreve ainda as condições gerais de exercício da profissão. O texto regulamentador informa que estes profissionais trabalham por conta própria, em locais diversos e horários irregulares e que no exercício de algumas das atividades podem estar expostos à dificuldades e a discriminação social, havendo ainda riscos de contágios de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), e maus-tratos, violência de rua e morte.

De acordo com Ana Lorena Moniz Costa, defensora pública titular do Núcleo de Defesa da Mulher e População LGBT, criado em março deste ano, não é papel do estado coibir o livre exercício da profissão desde que respeitados os pré-requisitos legais. “A legislação frisa que o acesso à profissão é restrito aos maiores de dezoito anos e proibida se o profissional for menor ou vítima de exploração por parte de terceiros, logo, cabe ao estado fiscalizar e promover a inclusão dessas pessoas em suas políticas públicas”, afirmou.

Além desses esclarecimentos quanto o que prevê a legislação brasileira para a profissão, o Seminário tratou da prevenção de DSTs entre a classe. “Estamos discutindo desde a garantia dos direitos e deveres desse grupo, como estratégias de prevenção das DSTs”, disse Maria de Jesus Costa, presidente da Associação das Profissionais do Sexo do Maranhão, entidade membro da Rede Brasileira dos Profissionais do Sexo.

Babalu Rosa, presidente do Grupo Solidário Lilás, entidade de defesa dos direitos da população LGBT, informou que há pelo menos 60 travestis entre os profissionais do sexo na capital. “Um dos principais ganhos dos Seminários foi a integração entre os três grupos que desempenham a atividade: mulheres, homens e travestis. Estamos todos os dias nas ruas distribuindo preservativos, lubrificantes, orientando, promovemos palestras e mesmo o Lilás representando os LGBTs não deixamos de atender os outros grupos e vice-versa”, informou.

Segundo as entidades que desempenham trabalhos voltados para os profissionais do sexo, os homens são o segmento mais difícil, pois a maioria não se assume como garoto de programa o que dificulta a identificação desse profissional, além disso, eles costumam abordar seus clientes de forma diferente das mulheres e travestis.

Travestis e transexuais de São Luís que trabalham como profissionais do sexo recebem cartilha disciplinadora

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) do Maranhão, por meio da Superintendência de Polícia Civil da Capital (SPCC), iniciou, desde sexta-feira (27), a distribuição das cartilhas educativas com orientações contendo direitos e deveres a serem cumpridos pelos transexuais e travestis que trabalham à noite nas avenidas da Região Metropolitana de São Luís. A produção desse material faz parte das ações que visam diminuir as práticas de atentado ao pudor que ocorrem em alguns pontos da capital maranhense.

De acordo com o delegado Sebastião Uchoa, superintendente de Polícia Civil da Capital, a construção da cartilha de orientação é resultado da integração de diversas instituições. “O material foi confeccionado a partir de sucessivas reuniões entre os representantes de grupos LGBTs, OAB, Defensoria Pública, Delegados de Polícia Civil e outros segmentos”, explicou.

Segundo Uchoa, a confecção da cartilha partiu das inúmeras denúncias e reclamações feitas pela população à Polícia Civil. Nestas reclamações, a população denunciava que alguns profissionais do sexo estariam expondo partes íntimas durante a noite em avenidas de São Luís.

Ao ter acesso à cartilha, o profissional do sexo poderá conhecer o que caracteriza um ato obsceno; ter a definição do crime de Ultraje Público ao pudor, além de saber sobre a pena para quem for pego cometendo este tipo de crime. Constam ainda, os números e locais que a população e os profissionais do sexo podem procurar caso desejem esclarecer algumas dúvidas. Estão a disposição do cidadão, a Superintendência de Polícia Civil da Capital (3214 3721) e ainda as Delegacias de Polícia Civil, Defensoria Pública, Ministério Público, entre outros órgãos.

A distribuição do material está sendo realizada pelos próprios integrantes das entidades representativas dos grupos LGBTs e da Superintendência de Polícia Civil da Capital. Na Parada do Orgulho Gay, que ocorre em junho, também será entregue a cartilha a todos os participantes do evento. O intuito, segundo o delegado Sebastião Uchoa, é utilizar o evento para atingir o maior número de pessoas.

Serão realizados ainda, após 30 dias do início da distribuição do material educativo, incursões nas áreas-focos, mediante ações de policiamento repressivo presencial nos finais de semana, durante a execução do programa Polícia Civil nas Ruas, que atua nos dias de sextas, sábados e domingo em diversos pontos na capital, sempre comandado por um delegado de polícia, supervisor dos Centros Integrados de Defesa Social( CIDS) de plantão no período.

Os representantes e membros dos grupos Gaivota, Lilás e Atrama, entidades LGBTs da grande São Luís, também estão realizando reuniões, ciclos de palestras e blitz nos principais locais frequentados por profissionais do sexo na grande São Luís.

Quem for pego cometendo atentado ao pudor, será conduzido para um dos Plantões de Polícia Civil a fim de ser lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) para fins de responder na Justiça pelo delito de Ultraje Público ao Pudor. Como pena, a pessoa poderá pegar de três meses a um ano de detenção e multa, podendo ainda cumprir a medida com penas alternativas e sócio-educativas.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Conduta de travestis e transexuais que trabalham à noite em São Luís é tema de discussão

Com o objetivo de analisar e discutir a conduta e o comportamento dos transexuais e travestis que trabalham à noite em ruas e avenidas de São Luís, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP), por meio da Superintendência de Polícia Civil da Capital (SPCC), promoveu uma reunião entre os supervisores dos centros integrados de Defesa Social (Cids) e representantes da população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trangêneros) de São Luís. O encontro ocorreu na segunda-feira (21).

No encontro, foram tratadas a formulação de ações educativas a serem desenvolvidas pelos vários segmentos e que visem um saudável convívio social. “Planejamos essa reunião após a polícia receber uma série de reclamações de pessoas que trafegavam em ruas de São Luís. Segundo as reclamações, algumas profissionais estavam expondo partes íntimas. Todos precisam entender que as ruas da capital são locais públicos e que devem ser utilizados de forma correta”, explicou o delegado Sebastião Uchoa, superintendente de PCC.

Ainda segundo o delegado, a pessoa pode ser presa por atentado ao pudor. De acordo com o superintendente, o bairro da Forquilha e as Avenidas São Luís Rei de França e Guajajaras são os locais mais citados nas denúncias.

Durante a reunião, os delegados solicitaram aos representantes dos grupos LGBT’s que atuam no estado um relatório com o quantitativo de profissionais que trabalham à noite em São Luís. Os coordenadores dos grupos informaram que, no momento, têm apenas um mapeamento sobre os principais pontos onde estes profissionais se concentram.

Entre as medidas a serem adotadas, será planejada uma ação informativa voltada para os profissionais. No trabalho, os representantes do Grupo Lilás irão a campo para conscientizar sobre a não exposição do corpo. “Já nesta semana realizaremos uma visita in loco nos pontos onde existem essas profissionais. Queremos conscientizar cada uma para o fato de que ao expor o corpo, ela também se expondo moralmente, colocando em risco sua própria vida, pois esse comportamento pode aumentar os crimes de homofobia”, ressaltou Babalu Rosa, coordenadora do Grupo Lilás.

Ficou acordado, ainda, que no próximo dia 5 de abril acontecerá uma nova reunião para avaliar o resultado após as primeiras semanas de trabalho educativo. Será definida posteriormente uma data na qual a polícia irá acompanhar os trabalhos da coordenação dos grupos, verificando se houve uma mudança de atitude nestes pontos.

Paralela às ações de conscientização, a coordenação dos grupos promoverá reuniões periódicas com as profissionais também a fim de levar a importância da valorização moral.

Fonte: http://www.ma.gov.br/agencia/

Comentário do blogayro:
Eu sei que isso pode ser enquadrado como atentado ao pudor e a lei deve ser aplicada a TODOS que a descumprirem. Não discutirei esse ponto. Agora quem é que tá denunciando? Porque o trabalho noturnos das Ts começa depois das 21h, em geral. Isso nao é hora de "gente de bem" está na rua. E as ruas do Centro já estão vazias esse horário. A Forquilha, sim, tem muito movimento de pessoas até muito tarde. E por que não "disciplinar a conduta" das putas héteros também? Enfim...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Uma vida em risco: um caso de abuso sexual

Esta é uma história real:

Ele tinha 7, 8 ou 9 anos. Não lembra exatamente. O trauma foi grande demais e alguns detalhes sumiram de sua memória. Ele sempre foi uma criança tímida, reservada, e essa história nunca foi contada antes. Nem mesmo para si ele a relatava.

Todas as tardes, ele e um dos seus primos costumavam brincar na casa de um vizinho. Os dois estudavam na mesma escola pela manhã e passavam o dia juntos. À tarde, depois de terminados os deveres escolares, eles costumavam brincar na casa do tal vizinho. O homem era amigo da família há muito tempo e por isso era digno de muita confiança da parte de todos.

Como a mãe do menino tinha muito trabalho para fazer na parte da parte da tarde, mandava-o junto com seu primo para brincarem na casa do vizinho para que pudesse se concentrar em seu trabalho. Na casa do vizinho, ambos viam TV, desenhavam, jogavam. Nada demais. Tudo normal. Até uma certa tarde.

O primo não fora à escola, então o menino foi sozinho para a casa do vizinho. O vizinho tinha 30 e poucos anos. Isso ele também não sabe ao certo. A rotina, aparentemente, seria a de sempre: desenho, jogos, TV. Mas não foi. Ele também não lembra ao certo como tudo ocorreu. Só lembra que em dado momento estava sem roupas, deitado de bruços sobre a cama e com o homem sobre si, tentando penetrá-lo enquanto brincava com seu pênis.

Era tudo muito perturbador e desconfortável. Sob gritos de protesto, o homem parou. Se o ato foi concretizado, o menino também não sabe afirmar. Apenas alguns flashes lhe ocorrem quando estas lembranças lhe vem à mente e ele não consegue detalhar todos os momentos daquela tarde infeliz.

Depois ele voltou para sua casa e nunca mais voltou à casa do vizinho. À mãe sempre inventava desculpas para permanecer em casa e ela nunca desconfiou de nada ou se importou em saber o porquê desta repentina aversão. Se houve alguma ameaça ele também não lembra, mas o fato é que nunca tocou no assunto. Até hoje.

O vizinho mudou-se tempos depois e nunca mais se soube nada sobre ele. Hoje o menino é gay. Não. Ele não acha que houve qualquer relação entre os dois fatos. Desde muito antes daquela tarde ele já tinha um olhar diferenciado para os outros meninos. Mas sua relação com a homossexualidade foi fortemente influenciada por aqueles acontecimentos.

A confiança em si, nos homens, sua auto-aceitação. Foi tudo muito traumatizante e difícil de consolidar-se, pois sempre lhe vinha à mente aquela tarde. Ainda hoje ele sofre com a dificuldade de relacionar-se com outros homens por não conseguir confiar plenamente em suas intenções. Seja relação amorosa ou sexual, são poucos os momentos de entrega total. Ainda há o medo de que se repitam os fatos daquela tarde.

***


Assim como aconteceu com o garoto acima, diariamente milhares de meninos são vítimas de abuso sexual por parte de homens mais velhos, em geral, heterossexuais. Não raramente um vizinho, um amigo da família, um cunhado, um tio, um primo ou mesmo o pai ou mesmo um amigo, um irmão, um professor. Um homem mais velho e que veja com maus olhos o comportamento fora dos padrões para o gênero e idade do menino que quase sempre é tímido, sensível, frágil, amedrontado, o que para muitos são “sinais da homossexualidade”.

Crescidas, estas crianças, gays ou não, passam a lidar com todos os traumas gerados pela agressão sofrida e pela desatenção dos pais que não souberam interpretar que aquele medo nutrido por aquele que antes era um amigo tem uma causa real e não é apenas um capricho infantil.

Sem este sistema de apoio, mesmo tendo sofrido agressões, esses garotos não denunciam nem relataram o fato a absolutamente ninguém. Não que eles prefiram vivenciar essa experiência de forma isolada e solitária a compartilhá-la com alguém, mas, existe, nesse caso, o temor de serem revitimizados por pessoas próximas ou por autoridades policiais, de serem agredidos novamente nas delegacias ou em casa e terem seu sofrimento aumentado. Isso porque existe uma aceitação no Brasil em relação a esse tipo de violência e discriminação.

Mais que isso, imagine para um menino, sobre o qual os pais depositam todas as expectativas e que desde cedo o tratam como o ‘macho pegador’ ter que assumir que sofreu uma violência desse tipo, sobretudo em uma fase da vida onde não há consciência sobre sua sexualidade. Pense em todas as confusões que isso suscita na cabeça despreparada de uma criança, de um menino, de um futuro homem. Os meninos não são preparados para serem subjugados, por isso a decisão de muitos de calar-se.

Uma vez adultos, se gays, estes meninos tem problemas em aceitar esse traço das suas personalidades. Muitos preferem lutar contra o desejo de deitar-se com outro homem pelo asco que isso passa a lhes representar e tornam-se homofóbicos, condição que é ainda mais severa caso se trate de um heterossexual pelo medo doentio que este passa a ter de ser rotulado como homossexual.

Felizmente, os danos físicos permanentes como conseqüência do abuso sexual são muito raros. As reações das crianças ao abuso sexual diferem com a idade e com a personalidade de cada uma, bem como com a natureza da agressão sofrida. Muitos jovens abusados continuam atemorizados e perturbados por muito tempo, às vezes, pela vida toda.

As sequelas do abuso sexual podem ser de ordem psíquica, sendo um relevante fator na história da vida emocional desses futuros homens como problemas conjugais, psicossociais e até mesmo transtornos psiquiátricos. A maior e pior das sequelas é que este menino que sofreu abuso sexual na infância pode ser o homem que abusa sexualmente de outros meninos.

Os danos à personalidade, como os futuros sentimentos de traição, desconfiança, hostilidade e dificuldades nos relacionamentos, sensação de vergonha, culpa e auto-desvalorização, da baixa autoestima à distorção da imagem corporal, dentre outros, são irreversíveis.

E por que tudo isso? Porque desde a infância a criança sofre com o preconceito ante o seu comportamento sexual “inapropriado”.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A Santa e a Puta

Minha força não é bruta; não sou freira, nem sou puta.
(Rita Lee)

Banheiros públicos, de shoppings, praças, bate-papo na internet. Esses são apenas alguns dos chamados lugares de pegação freqüentado por 10 entre 10 gays em todo o mundo em seus momentos de caça. Bastam cinco minutos, muita disposição e força de vontade em qualquer um desses locais que se consegue um parceiro ou dois, três, quatro, enfim, para uma boa sessão de sexo. Sim, boa! Sexo é sempre bom, desde que consentido, é claro.



Nem é preciso muito papo. Basta ficar lá como quem não quer nada, olhando com um pouco mais de malícia para os caras que passam, entram e saem ou, no caso da net, jogar um pouco de conversa mole e bingo. Trancados no box do banheiro, no carro estacionando em um local com pouco movimento ou mesmo no meio do matagal mais próximo o pau come solto (e sim, o trocadilho foi intencional!).


Acontece que no fim das contas todo mundo acaba conhecendo a cara e a fama de todo mundo. Em uma mesa de amigos gays, quando passa aquele cara bonitinho, tem um que vai comentar: “Eu já fiz ele! Nós ficamos outro dia no banheiro do shopping.”


Se você faz isso só muito de vez em quando, naqueles dias em que não dá para segurar a vontade de ficar com alguém depois de um longo período jogando cinco contra um e de roçar o edy na quina da mesa, tudo bem, normal. Se você faz isso todos os dias – eu conheço gente que sim – logo você ganha a fama de puta. Isso mesmo: P-U-T-A! Mas se você não faz isso ou por que não gosta ou por que não quer se expor ou por outro motivo qualquer ganha a alcunha de “beesha phyna”, a santa. Só que essas duas denominações tem seu lado positivo e negativo.


Ser a puta é o suficiente para que todos os outros te apontem e digam coisas como: “ah, esse menino fica com todo mundo, quero ele não”, “fulano é bonitinho, mas dá pra qualquer um”, “beltrano quis ficar comigo na boate, mas ele é tão rodado, por isso não quis”, “sicrano não serve pra namorar por que ele vive caçando no banheiro do shopping”. Eu já ouvi isso inúmeras vezes de amigos meus sobre inúmeros caras.


Só que esse comportamento é para alguns caras a única forma de vivenciar sua real sexualidade. Não raramente os principais “predadores” desse tipo de caça são homens casados e com filhos ou outros caras que não tem coragem de saírem do armário.


Fazer a linha santa acaba com todas as suas possibilidades de ser convidado para a aquela festinha cheia de gatinhos sarados e fogosos na casa daquele seu amigo puta. Também te impede de ficar com aquele seu amigo safado do qual você é super-afim por que ele acha que todas as suas investidas são apenas brincadeira, além de criar para outros gays a imagem que você é metido (sem duplo sentido) e se acha melhor que eles, os julga.


No entanto, você acaba sendo o melhor amigo de todos justamente pelo seu comportamento, além de ser visto como um bom cara para se namorar, embora quase nunca passe disto: ser visto. Você é aquele para quem eles ligam pedindo um conselho ou para contar suas aventuras. Você é o porto seguro nos dias de naufrágios no líquido do prazer. A companhia para os momentos de real descontração.


Mas como lidar com isso tudo? Como lidar com a falta de alguém no outro lado da cama ainda que seja por algumas horas se você tem uma visão de mundo e relacionamentos que não passam por banheiros, chats e afins?


Não acho que nenhum dos comportamentos seja mais ou menos correto. Acredito que devemos agir de acordo com nossa personalidade e fazermos o que nos faz sentir bem de verdade, desde que não passemos de certos limites. Eu não sou puta, embora também não seja totalmente santa e nem me sinta confortável com a idéia de ser puta. Estive pensando nisso nos últimos dias, por isso o texto.


E você o que pensa?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sexo gay era praticado há 27 mil anos, revela exposição

Mostra ´Sexo na Pedra` revela pela primeira vez o sexo na pré-históriaA liberdade sexual vem da pré-história.
É o que vai mostrar uma exposição organizada pelos pesquisadores do maior sítio arqueológico do mundo, o de Atapuerca, na Espanha.



As inscrições rupestres encontradas pelos arqueólogos indicam que o sexo homossexual era comum no Paleolítico e que o homem pré-histórico era adepto de um verdadeiro "Kama Sutra".


Uma gravura sobre uma placa de pedra da caverna francesa de La Marche mostra o que parece ser uma mulher tendo relação com outra. Também em La Marche, uma placa de 12 mil anos contem desenhos de dois homens fazendo sexo anal.


Numa outra caverna de pedra calcária em Dordogne, os desenhos revelam duas mulheres com pernas entrelaçadas na posição conhecida como tesoura sendo datada de 27 mil anos atrás.


Outras peças mostram vários casais de lésbicas nas margens do Reno. Numa delas, de 12 mil anos atrás, duas delas aparecem esfregando os seios em atitude amorosa.


Os estudos arqueológicos são considerados homofóbicos por não tratarem da homossexualidade na pré-história. Dessa vez tudo mudou. "Quase não existem estudos e os congressos não tratam do tema. Entretanto, os primeiros Homo Sapiens que chegaram à Europa eram anatômica e cerebralmente igual a nós" explica o coordenador de cavernas pré-históricas de Cantabria, na Espanha, Marcos García Díez.


A mostra "Sexo na Pedra" revela que nossos ancestrais eram adeptos de um verdadeiro "Kama Sutra" no Paleolítico. As gravuras mostram sexo com animais, sexo a três, voyerismo, masturbação, sexo oral e uso de vibradores, além da abertura para relações homossexuais.


A exposição estréia em setembro na sede da Fundação Atapuerca, em Ibeas de Juarros (Burgos), ao norte da Espanha, e vai até 2011.


"Se nos vincularmos a etnografia, e olharmos para os grupos primitivos atuais, a homossexualidade existe. No Paleolítico existia também, mas não se era estudada por uma questão de mentalidade porque ficamos fixos com a idéia de família na cabeça. Creio que dentro de 10 ou 15 anos se falará disso com naturalidade" ressalta Diez.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O que é orientação, preferência e identidade sexual?

Você sabe o que é orientação sexual? E a diferença entre orientação e identade sexual? E o que chama-se preferência sexual? Sexualidade é opção? Continue lendo e tire todas as suas dúvidas.
A orientação sexual indica qual o gênero (masculino e feminino) que uma pessoa se sente preferencialmente atraída fisicamente e/ou emocionalmente.

A orientação sexual pode ser assexual (nenhuma atração sexual), bissexual (atração por ambos os gêneros), heterossexual (atração pelo gênero oposto), homossexual (atração pelo mesmo gênero), ou pansexual (atração por diversos gêneros, quando se aceita a existência de mais de dois gêneros).

O termo pansexual (ou também omnissexual) pode ser utilizado, ainda, para indicar alguém que tem uma orientação mais abrangente (incluindo por exemplo, atração específica por transgêneros).



A orientação sexual não-heterossexual foi removida da lista de doenças mentais nos EUA em 1973; e do CID 10 (Classificação Internacional de Doenças) editado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), em 1993.


O termo orientação sexual é considerado, atualmente, mais apropriado do que opção sexual ou preferência sexual. Isso porque opção indica que uma pessoa teria escolhido a sua forma de desejo, coisa que muitas pessoas consideram como sem sentido. Assim como o heterossexual não escolheu essa forma de desejo, o homossexual (tanto feminino como masculino) também não, pois, segundo pesquisas recentes esta orientação poderá estar determinada por fatores biogenéticos, sejam questões hormonais in utero ou genes que possam determinar esta predisposição.


É importante esclarecer que há grande imposição do modelo heterossexual para todos. Em alguns casos, pode não existir a preocupação em conhecer o nível ou qualidade de vida afetiva, nível de prazer ou felicidade que uma pessoa possa ter, mas sim que ela deveria ser heterossexual.


Por conta dessa forte imposição, muitas pessoas podem encontrar alívio dos desejos homoeróticos na religiosidade fanática, nos remédios, nas drogas ou mesmo, adotando um padrão escondido ou de vida dupla.


No seu entorno social e familiar assume um comportamento heterossexual e num mundo privado permite-se exercer a sua homossexualidade, situação esta que cria um maior ou menor conflito interior e assim as suas repercussões posteriores nesse ser humano. Segundo diversas organizações científicas não é possível forçar a alteração da orientação sexual de alguém.


A identidade sexual indica a percepção individual sobre o gênero que uma pessoa percebe para si mesma. Assim como o termo sexo pode assumir várias interpretações costuma-se separar orientação sexual do conceito de identidade sexual. O termo identidade de gênero aproxima-se da identidade sexual, mas também mantém diferenças conceituais significativas.


A identidade sexual pode ser exclusivamente masculina ou feminina. Também pode manifestar uma mistura entre a masculinidade e feminidade, admitindo várias categorias entre homossexualidade com inversão sexual de papéis de gênero, travestibilidade e transexualidade.


A identidade sexual difere em conceitos da orientação sexual, pois a identidade sexual fundamenta-se na percepção individual sobre o próprio sexo, masculino ou feminino percebido para si, manifestado no papel de gênero assumido nas relações sexuais e a orientação sexual fundamenta-se na atração sexual por outras pessoas.


Difere também da identidade de gênero no sentido em que a identidade de gênero está mais correlacionada com a maneira de se vestir e de se apresentar na sociedade enquanto a identidade sexual correlaciona-se mais diretamente com o papel de gênero sexual.


Algumas vezes considera-se que um transexual do biotipo masculino, cuja orientação sexual é somente por homens e que se relacione sexualmente apenas no papel feminino, possa ser considerado heterossexual. Nos casos mais comuns, homens e mulheres identificam-se no biotipo sexual natural, sem manifestar desejos pela transgenereidade.