segunda-feira, 4 de outubro de 2010

LGBT News - Eleições 2010

Ontem (03.10), 135,8 milhões de eleitores foram às urnas para decidir sobre o Brasil do pós-Lula. Depois de oito anos sob o comando do petista, os brasileiros precisavam escolher o sucessor do presidente de popularidade recorde. Além do novo nome que ocuparia o Palácio do Planalto, estavam em jogo 27 governos estaduais, dois terços do Senado e toda a Câmara de Deputados.

A eleição do novo presidente ficou para o segundo turno, quando disputarão Dilma (PT) e Serra (PSDB). Dos 27 estados do país, 9 decidirão no segundo turno quem os governará pelos próximos quatro anos: Distrito Federal, Goiás, Rondônia, Paraíba, Piauí, Roraima, Pará, Amapá e Alagoas.

Cientes da importância do voto consciente para garantir a cidadania de todos os cidadãos, diversos grupos fizeram campanha para os candidatos que defendiam as suas causas. Dos candidatos que assinaram o Termo de Compromisso da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transgêneros), foram eleitos um governador, uma senadora, 17 deputados federais e 25 deputados estaduais.


Jean Willys, eleito deputado federal pelo RJ

Apesar da reação dos evangélicos e católicos (leia comentário do blogueiro na coluna de hoje, aqui) que alavancaram Marina Silva (PV) e levaram as eleições presidenciais para o segundo turno, os LGBT conseguiram um avanço com as eleições deste domingo elegendo o primeiro deputado federal gay assumido eleito com uma plataforma LGBT, o ex-big brother Jean Wyllys pelo PSOL-RJ (à esquerda), com 13.018 votos, 0,16%, do total das urnas fluminenses.

Alírio Neto, eleito deputato distrital
Além disso, houve ainda a reeleição de Alirio Neto do PPS-DF, deputado distrital conhecido por defender a causa LGBT (à direita).

São Paulo foi o estado mais elegeu políticos pró-gays. Foram 6 deputados federais e 5 estaduais. No Maranhão (estado onde moro), nenhum candidato assinou o Termo de Compromisso, mas esperamos que esses eleitores não sejam relegados. Confira abaixo a lista dos aliados e gays eleitos:


Governador:
Bahia
Jaques Wagner (PT)

Senador:
Bahia
Lídice da Mata (PSB)


Deputados federais:
Bahia
Nelson Pelegrino – PT


Ceará
Artur Bruno – PT
Distrito Federal
Erika Kokay - PT


Paraíba
Luiz Couto - PT
Pernambuco
Mauricio Rands - PT
Piauí
Átila Lira - PSB
Marllos Sampaio - PMDB
Paraná
Dr. Rosinha - PT


Rio de Janeiro
Jean Wyllys – PSOL - Gay
Rio Grande do Sul
Manuela D’Ávila – PcdoB
Paulo Pimenta - PT


São Paulo
Ivan Valente - PSOL
José Aníbal - PSDB
Paulo Teixeira - PT
Mara Gabrilli - PSDB
Vicente Candido – PT
Roberto Freire - PPS

Deputados estaduais:
São Paulo
Bruno Covas - PSDB
Carlos Giannazi - PSOL
Mauro Bragato - PSDB
Samuel Moreira - PSDB
Barros Munhoz - PSDB
Bahia
Bira Coroa - PT
Marcelino Galo - PT
Maria Del Carmen - PT


Distrito Federal
Alirio Neto - PPS - Gay
Arlete Sampaio - PT
Eliana Pedrosa - DEM
Wasny de Roure - PT
Espírito Santo
Claudio Vereza - PT


Goiás
Mauro Rubem - PT
Minas Gerais
Luiz Humberto Carneiro - PSDB
Luiza Ferreira - PPS
Pará
Bernardete - PT
Edmilson Rodrigues - PSOL


Pernambuco
Isaltino Nascimento - PT
Paraná
Fabio Camargo - PTB
Professor Lemos - PT
Tadeu Veneri - PT


Rio de Janeiro
Carlos Minc - PT


Rio Grande do Sul
Raul Pont - PT
Santa CatarinaAngela - PCdoB

sábado, 2 de outubro de 2010

Contrato Social II - a disseminação de um pensamento

“Aquilo que o publico realmente abomina na homossexualidade não é a coisa em si, mas o fato de ser obrigado a pensar nela.”

E. M. Forster

Eu já falei sobre o tema no texto “Contrato Social”, mas hoje gostaria de discuti-lo novamente, dessa vez, sob outra ótica: a de um exemplo claro da tentativa da perpetuação de um pensamento. Não que eu desacredite, agora, em tudo que disse antes, mas acho que esse texto é bom complemento daquele. Por isso, leiam o texto anterior, depois a reportagem linkada abaixo e por fim minhas considerações acerca de tudo e tirem suas próprias conclusões. Se puderem compartilhá-las comigo comentando no blog, melhor ainda. Boa leitura.

 

Na sua edição do dia 12 de maio desse ano, a revista Veja publicou a seguinte reportagem especial: “A geração tolerância: os adolescentes e jovens brasileiros começam a vencer o arraigado preconceito contra os homossexuais, e nunca foi tão natural ser diferente quanto agora. É uma conquista da juventude que deveria servir de lição para muitos adultos.” A reportagem é antiga, mas essa discussão é sempre atual.

Com tocantes e felizes histórias de jovens gays que conseguiram vencer o preconceito familiar, a reportagem conta como diversos jovens 'vivem livremente' (!!!) a sua sexualidade, ressaltando a discrição como pré-requisito para a aceitação. Em um dos trechos da reportagem pode-se ler que “declarar-se gay em uma turma ou no colégio de uma grande cidade brasileira deixou de ser uma condenação ao banimento ou às gozações eternas”.

Ora, é bem verdade que muitos avanços no combate ao preconceito já foram alcançados, mas essa é uma realidade vivenciada pela imensa minoria dos gays em nosso país. Não que a reportagem seja no seu todo ilusão, mas passar isso com a realidade atual de todos os gays e da sociedade em relação à homossexualidade é no mínimo hipocrisia. Basta perguntar sobre isso e de cada 10 entrevistados, com toda certeza, pelo menos 8 afirmarão que sofrem com a discriminação em casa, na escola, na universidade, no trabalho, ainda que de forma velada.

Nos últimos meses tive excelentes conversas com a @lilahleitora e o @AndreV_ sobre algumas das diversas questões que permeiam o “mundo LGBT” e um dos pontos que mais discutimos foi justamente essa aceitação e liberdade vividos por essa jovem geração de homossexuais e sempre chegamos ao mesmo questionamento: o que vivemos hoje é, realmente, a era da aceitação ou do comodismo?

Eu tenho 22 anos e há pouco mais de um 'assumi' definitivamente que sou gay – mas sobre isso dedicarei um post futuro – e não percebo que essa seja uma questão que seja vista com tanta naturalidade quanto prega a Veja em suas páginas ou diversas outras reportagens de rádio, TV, jornal; na verdade o que há é justamente um camuflamento, por parte da maioria das pessoas – gays e homofóbicos – desse sentimento.

Para muitos gays é uma grande conquista poder ir ao cinema, shopping, praia e outros locais públicos – que não os ambientes LGBT – com seu namorado, e de fato é, mas a maioria dos casais gays que conheço comporta-se, em público, como um casal de amigos, se eles fogem dos estereótipos gays, não há quem diga que algum tipo de relação amorosa entre ambos.

E esse tipo de postura não só é bem-vista como incentivada pela sociedade. Quantas vezes já não ouvi “o fulano é gay, mas é sério, ele não demonstra isso para ninguém”. E já ouvi de muitos gays o seguinte: “eu sou discreto, não preciso esfregar minha sexualidade na cara de ninguém para ser respeitado”. Oras, acontece que isso não é aceitar e não é assim que acabaremos com o preconceito. Isso é apenas uma forma de não tratar o assunto.

Quer dizer que eu preciso reprimir-me em público para ser respeitado pelos outros? Um homem heterossexual é mais respeitado se esconde essa sua condição? Deixar de dar um beijo no meu namorado em plena praça de alimentação de um shopping é o caminho ideal para que as pessoas entendam que toda forma de manifestação de carinho é válida? Eu não devo “esfregar” minha sexualidade na cara das pessoas, mas sou obrigado a ter um casal hétero sentado ao meu lado no cinema se beijando como se fizesse sexo? A resposta para todas essas perguntas é NÃO!

Mas na ânsia de serem aceitos a maioria dos jovens gays caem nesse poço e não percebem que estão apenas deixando de serem vistos, inclusos, mas sendo empurrados para um novo estereótipo de gay: o gay discreto. “Ora, não me exponha suas vergonhas que nos daremos bem” é assim que percebo que somos encarados pela, ainda, maioria das pessoas com as quais convivemos. Estamos sendo absorvidos pela multidão, nos tornando invisíveis e o que é pior: por vontade própria.

Pior ainda é o fato de muitos gays criticarem aqueles que na contramão do comodismo, lutam diariamente pela garantia de todos exercerem seus direitos que são cerceados todos os dias. É no mínimo contraditório que todos os gays queiram ter ou adotar filhos, casarem-se, serem respeitados, mas nada fazem por isso. Apenas sentam-se e esperam que a sociedade os receba de braços abertos.

Não estou aqui dizendo que temos que ir às ruas marchando e gritando contra a homofobia. Somente isso não resolverá. Mas é preciso que percamos o medo de sermos gays, perder o medo do estigma. E daí se nos apontarem na rua ao nos verem de mãos dadas com o nosso namorado? Mas é preciso mostrar que a homossexualidade é tão natural quando o nascer do sol todas as manhãs.

Tendo em vista toda a dificuldade de ser gay em um mundo tão hostil à causa, não soa razoável que alguém escolha, voluntariamente, ser gay. A única escolha está em se aceitar e vivenciar a própria sexualidade. Renunciar a tudo isso e fingir ser algo que não se é também é uma escolha. Tentar coibir os excessos praticados contra aqueles que têm uma orientação sexual diferente da maioria não é benesse, não é um prêmio, não é um superpoder. É tratar um homossexual pelo que ele é: um cidadão.

O que se pode compreender, segundo a matéria da Veja, é que nós, os gays, somos os culpados por toda a discriminação que sofremos, em especial os militantes.  Esqueçamos a PCL 122, as paradas, essa baboseira toda de luta pelos direitos. Na verdade, as pessoas nos amam. O mundo é cor-de-rosa. Viva a alienação!!!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ser bi, e daí?

Descobri que gostava de garotos quando tinha 14 anos. Me senti culpado, envergonhado do que era, e foi um longo caminho até a aceitação. Durante algum tempo eu achei que era gay. Mas então, surgiu uma garota na minha vida, uma que eu olhava de modo diferente e me fazia sentir diferente... E então me descobri bissexual.




Não, eu não sou bissexual, mas hoje quero falar desse grupo específico de pessoas por isso começo com o depoimento de um bifóbico.

 
Bissexualidade. Como pode alguém dizer que se sente atraído tanto por homem quanto por mulher da mesma forma? Isso para mim é insegurança. É coisa de gay que não tem coragem de se assumir e fica com o sexo oposto só para não sofrer com a discriminação por homofobia. A maioria dos bissexuais tem mais relação com o mesmo sexo que com o oposto e ficam nessa indecisão. Covardes!


Tem outra questão também. Ser gay hoje é modinha. Então muitos caras e mulheres só para bancarem os descolados, mente abertas, ficam pagando de bissexuais para mostrarem que são modernas, não tem preconceito. Babaquice! A maioria desses fica com o sexo oposto e quando pega alguém do mesmo sexo é em situações de sexo à três e só o fazem para agradar o parceiro, mas não fazem nada além de algumas carícias ou darem uns beijos, aposto.


Eu sou gay e não tenho medo ou vergonha de assumir quem sou. Gosto é de homem, pô. Qual a dificuldade em assumir isso? Ser gay não é modinha e exige muita coragem para dar a cara a tapa. Quem não entende isso fica criando esse meio-termo que chamam de bissexualidade. Na verdade não existe bissexualidade ou bissexuais. Somos gays ou héteros, simples assim.


Esse aí de cima era eu há uns dois anos atrás. Era assim que eu via a bissexualidade. No auge da minha pasteurização dos comportamentos humanos, transformava a sociedade em um grande supermercado e as pessoas em produtos a serem empratileirados. Hoje, por sorte, revi meus preconceitos e vejo as pessoas muito além dos rótulos.


Mas muito além de gays, héteros ou bissexuais, somos humanos e com tal, somos diversos. Não há padrões. Não há modelos. Não há certo ou errado quando trata-se de uma manifestação natural e saudável da nossa sexualidade. Nós é que temos essa necessidade da criação de rótulos.


É como se assim fosse mais fácil lidar com as pessoas. E é, né?. Eu gosto dos gays, mas não da qualhiragem, então não ando com a bichinha afeminada. Nada contra as lésbicas, mas precisa ser masculinizada. Tá bom que você seja bissexual, mas eu não vou ficar com alguém que pode me trocar tanto por um homem quanto por uma mulher. E se for assim? Que mal há? Sendo saudável, natural...


Hoje vejo as coisas de outra forma. Eu tinha uma visão torta a te mesmo da minha (homo)sexualidade. Foi um processo muito longo para que eu mudasse meus conceitos e vencesse meus preconceitos. Assumir-se preconceituoso, desinformado, incapaz de fazer lago sozinho é o primeiro passo. Não é vergonha pedir ajuda, assumir que não pode ou não sabe. Vergonhoso é ser preconceituoso, querer ser preconceituoso. Ainda tenho que derrubar muitos dos ícones que construir erroneamente, mas felicito-me por estar disposto a fazê-lo. A maioria nem a isso se dispõe. Eu me dispus.

 

A nossa sociedade é muito influenciada pela tradição judaico-cristã, que identifica sexualidade com reprodução e, portanto, com heterossexualidade, o que marginaliza e reprime outra forma de se relacionar. E assim com a bissexualidade.

Resolvidos os traumas, aparadas as arestas internas e definido o que é atração real e o que é simples curiosidade, vem a "saída do armário" o que esbarra em aspectos pessoais, profissionais e familiares e que vem, na maioria das vezes, acompanhada por momentos difíceis.

O armário bi tem duas portas: uma para homossexualidade, outra para a heterossexualidade. E abrir ambas ao mesmo tempo requer muito mais do que coragem: requer auto-aceitação, auto-entendimento. Afinal, é duplamente difícil ‘se assumir’ como gostando de ambos os sexos - por vezes indistintamente, por outras com alguma preferência.

A descoberta da bissexualidade é um verdadeiro susto. A pessoa se questiona, acha que está confusa, tem dificuldade de aceitar que bissexualidade existe e não é doença ou desvio de caráter - como grande parte da população acha ainda hoje.

A aceitação da bissexualidade, tanto por parte do bissexual quanto de quem o rodeia (família, amigos, colegas de trabalho), pode ser um processo lento e doloroso. O medo de ser diferente pode impedir a decisão de se mostrar para todos. Por isso há indivíduos que ficam por muito tempo "em cima do muro", adotando o comportamento que lhe convier, dependendo do grupo em que está inserido.

A crença geral é de que o bi é uma pessoa indefinida, que ainda não achou sua identidade sexual, mas não é bem assim. A realidade é bem mais ampla e complexa. Há muito mito e preconceito acerca dos bissexuais e isto faz com que muitos prefiram não se identificar como tal.

O assunto começou a ser discutido na década de 70. Nos anos 80, sua aceitação social sofreu um retrocesso com o surgimento da Aids. Os bissexuais foram acusados de disseminarem o vírus HIV porque muitos homens, com relacionamentos heterossexuais, escondiam da mulher o seu lado bi e tinham relações com outros homens sem proteção.

E ainda nos dias de hoje, os bissexuais são vítimas de situações preconceituosas. E o pior: este preconceito vem de quem também sofre com ele. Homossexuais, assim como os héteros, acreditam que os bissexuais só querem o melhor de ambos os mundos: as vantagens sociais da heterossexualidade e o prazer ilimitado.

Se para muitos heterossexuais a bissexualidade é coisa de gente ‘sem-vergonha’, e para os homossexuais é coisa de gay mal-resolvido. Sendo assim, os bissexuais sofrem de um tipo específico de preconceito. A chamada bifobia. Eu mesmo já me comportei com os bissexuais partindo da idéia que eles apenas não tem coragem de assumir sua homossexualidade.

É bom ressaltar que assim como os gays e héteros, os bi não carregam um neon piscando na testa. Não existem diferenças comportamentais. Sua busca é como qualquer outra. São seres humanos em busca de amor, carinho e afeto, mas que tem atração por ambos os sexos, já que homens e mulheres oferecem satisfação. É importante também deixar claro que a sexualidade não é uma opção pessoal.

Ninguém nasce com idéia formada sobre sua sexualidade. A bissexualidade não pode ser vista como uma escolha, até por que ninguém nasce sabendo o que vai ser e isso nos já estamos cansados de saber, mas tentar entender se torna mais difícil, pois a mente das pessoas carrega muito preconceito, e isso impede a compreensão dos mistérios da sexualidade humana.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Maranhão aprova adoção do 'nome social' por travestis

Com informações do Blog Cotidiano Maranhense do Wilson Lima

 
Nome social é o nome pelo qual transexuais e travestis preferem ser chamados cotidianamente, em contraste com o nome oficialmente registrado que não reflete sua identidade de gênero. No Brasil, a Universidade Federal do Amapá foi pioneira na adoção do nome social para seus alunos. Há iniciativas no mesmo sentido em andamento em outros estados, notavelmente Minas Gerais, Amazonas, Piauí, Pará, Goiás e Paraná, segundo a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

Agora o Maranhão também dá seus primeiros passos para incluir essas pessoas. Foi publicado no Diário Oficial do Estado - no dia 24 de setembro – a aprovação pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) da adoção do “nome social de travestis e transexuais nos registros internos de documentos escolares das instituições de ensino integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Maranhão”.

Pela determinação do CEE, “os Gestores das instituições de ensino, referidos no art. 1º desta Resolução, devem conceder aos travestis e transexuais, maiores de 18 (dezoito) anos, o direito de manifestarem, por escrito, no ato da matrícula ou ao longo do ano letivo, seu interesse na inclusão do nome social”. No caso de crianças e adolescentes, a inclusão do nome social deve ocorrer “mediante requerimento assinado pelos pais ou responsável legal”.

A medida, sem dúvida, deve suscitar novas discussões relacionadas à sexualidade no âmbito escolar, sobretudo diante da falta de políticas educacionais que promovam o esclarescimento da comunidade escolar sobre a questão.

Alunos e docentes não estão suficientemente bem informados para lidar com travestis e transexuais no seu cotidiano. Não basta apenas permitir, mas tem-se que garantir a inclusão de forma saudável dessa minoria, do contrário estaremos apenas jogando Daniel na cova dos leões.

Eis a determinação do Conselho Estadual de Educação, publicada no Diário Oficial.


SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

Conselho Estadual de Educação - CEE

RESOLUÇÃO Nº 242/2010 – CEE

Dispõe sobre a inclusão do nome social de travestis e transexuais nos registros internos de documentos escolares das instituições de ensino integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Maranhão e dá outras providências.

O CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO MARANHÃO, no uso de suas atribuições legais e, considerando o Parecer Nº 293/2010 - CEE, do Grupo de Estudos designado pela Portaria Nº. 057, de 15 de setembro de 2009, emitido nos Processos CEE Nos. 470/2009, 498/2009, 534/2009 e 257/2010, aprovado por unanimidade em Sessão Plenária hoje realizada, RESOLVE:

Art. 1º. Determinar que as instituições de ensino público e privado, integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Maranhão, incluam o nome social de travestis e transexuais nos seus registros internos de modo a garantir a efetivação do processo de inclusão de travestis e transexuais no contexto escolar.

Art. 2º. Os estabelecimentos públicos e privados integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Maranhão, em respeito à cidadania, aos direitos humanos, à diversidade, ao pluralismo e à dignidade da pessoa humana devem assegurar condições de acesso, permanência e sucesso escolar de travestis e transexuais.

Art. 3º. Os Gestores das instituições de ensino, referidos no art. 1º desta Resolução, devem conceder aos travestis e transexuais, maiores de 18 (dezoito) anos, o direito de manifestarem, por escrito, no ato da matrícula ou ao longo do ano letivo, seu interesse na inclusão do nome social pelo qual são reconhecidos na comunidade.

Parágrafo único. No caso de menor de idade, a inclusão, de que trata o caput, deve ocorrer mediante requerimento assinado pelos pais ou responsável legal.

Art. 4º. Os Gestores das entidades mantenedoras devem orientar as instituições de ensino respectivas para que mantenham programas de combate à homofobia e à transfobia nas suas atividades educativas, com vistas ao respeito à cidadania, à dignidade da pessoa humana e à diversidade como forma de contribuir para a eliminação de discriminação e preconceito, bem como ao cumprimento do disposto nesta Resolução.

Art. 5º Os casos omissos são resolvidos pelo Conselho Estadual de Educação.

Art. 6º A presente Resolução entra em vigor na data da sua publicação.

SALA DAS SESSÕES PLENÁRIAS DO CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO MARANHÃO, EM SÃO LUÍS, 19 DE AGOSTO DE 2010.

JOSÉ RIBAMAR BASTOS RAMOS Presidente CEE/MA