quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Os meus olhos

"...minha canção ficou assim sem jeito, cheia de desejos..."
(do repertório da Maysa)

Não sei por que a natureza, durante o processo evolutivo, deu ao homem a visão como o mais aguçado dos seus cinco sentidos. Os olhos denunciam todo e qualquer sentimento nosso. Como disse Marina Lima: “só os meus olhos pra dizer, que digo tudo só com meus olhos sem querer, seu nome”.



Hoje eu ti vi depois de algum tempo sem. Pensei que com o tempo conseguiria afastar de mim esse sentimento que me fere por dentro e me faz sentir tão mal, mas não foi isso que aconteceu. Apenas guardei tudo, parei de pensar, mas não de sentir.


Hoje passei o tempo todo te evitando os olhos e com os meus olhos. Não te encarei por receio que de falar demais com os meus olhos e ouvir da tua boca a resposta habitual. Com meus olhos te vi tocar outros e desejei que fosse eu.


Que inferno! Às vezes eu te odeio, às vezes eu tenho raiva de ti, às vezes eu te quero, às vezes eu só te desejo, às vezes eu te amo. Às vezes eu quero te bater só por me fazer sentir tudo isso e às vezes eu quero te abraçar e nunca mais largar.


Quando te vi hoje, primeiro senti felicidade, depois raiva, depois dor, depois me senti completamente idiota e depois veio a constatação: eu ainda te quero, eu ainda não te esqueci, ainda são teus os meus olhos.

Gays contra gays

O fim do preconceito é o objetivo de todos os gays, por isso tantas lutas pelo fim da homofobia e o exercício de direitos como o casamento, adoção e outros, mas e quando o preconceito vem de dentro? Nós todos sabemos que a homofobia é praticada geralmente por homens heterossexuais, mas existe dentro do "ambiente gay” muita homofobia e acho que é esse o nosso maior problema.



Já ouvi da boca de gays “assumidos” a seguinte declaração: "Não gosto de fulano porque ele é muito gay". Aliás, os gays "afeminados" ou "afetados" são os mais discriminados até mesmo por outros gays. Alguns deles não querem nem ser visto perto de um homossexual mais feminino ou de uma travesti.


Eu mesmo já fui assim, afinal, todos, absolutamente todos nós, temos nossos preconceitos e auto-preconceitos. Ainda alimento certo preconceitos contra essas pessoas, mas tenho, pelo menos, tentado mudar essa postura, afinal, como posso vir aqui todos os dias e postar todos esses textos, exigir o fim do preconceito contra gays se eu sou, em muitos casos, o primeiro a apontar na rua e tecer algum comentário preconceituoso?


Eu percebo que alguns gays não entenderam que ser mais delicado ou mais feminino não é uma opção, mas uma condição. A mesma condição que nos faz “preferir” homens a mulheres. Por que é tão aceitar o fato de que o cara "dá pinta", pois ele está sendo ele mesmo? Como vamos lutar pela igualdade se nós mesmos não nos vemos como iguais?


Alguns diriam que isso acontece em virtude da prevalência da orientação sexista heterossexual que faz os homens mais viris, independente da sua sexualidade, reprovar, reprimir, criticar comportamentos excessivamente femininos. Mas nesse caso estaríamos apenas caindo no lugar comum da justificativa mais fácil: a culpa é do machismo, quando uma coisa, nem sempre, tem haver com a outra.


Outra atitude muito comum que costumo observar entre os gays é que os mais “baquiosos” se policiam rigidamente para evitar esse tipo de comportamento. Eu vejo isso como auto-discriminação. Se eu me discrimino, como vou exigir que os outros não o façam? Se eu tenho comportamentos mais femininos que mal há em assumir isso?


O fato é que precisamos, antes de lutar pelo combate à homofobia, mudar nossa própria forma de encarar a homossexualidade, sobretudo a do outro.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Primeiro Centro de Referência dos Direitos LGBT do Brasil é criado na Paraíba

Foram praticados 95 casos de assassinatos de homossexuais na Paraíba de 1990 a 2009, segundo dados do Grupo Gay da Bahia. Destes casos, apenas um foi solucionado pela Justiça, com o réu indo a júri popular. Já este ano foi registrado mais seis casos de assassinatos. Para coibir esse tipo de prática e garantir o exercício dos direitos pelos gays paraibanos que o estado vai ganhar o primeiro Centro de Referência dos Direitos de LGBT e Combate a Homofobia do Brasil.



O Centro é um serviço de atendimento as vítimas de violência homofóbica, que vai desde a violência sexual, física, psicológica até patrimonial e a implantação atende uma das 51 diretrizes do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT.


Segundo Giucélia Figueiredo, o serviço vai funcionar com uma sede específica e disponibilizará atendimento jurídico, psicossocial, além de atendimento itinerante em cidades com maior incidência de crimes de homofobia, como Campina Grande, Itabaiana e Guarabira.


“A importância desse serviço na Paraíba é dar possibilidade do atendimento a população de lésbicas, gays, bissexuais e travestis (LGBT), que nunca tiveram acesso, através do estado, de um equipamento de defesa deste segmento. Estamos agora no processo de convênio para implantação do Centro”, disse a secretária de Desenvolvimento Humano, Giucélia Figueiredo.


Além do atendimento, o Centro promoverá formação específica em direitos humanos para os servidores públicos estaduais, com capacitações para policiais militares e professores. Terá também o Núcleo de Estudos da Homocultura com acervo bibliográfico sobre os 30 anos do Movimento Homossexual Brasileiro e pesquisas científicas para subsidiar estudos e pesquisas acadêmicas de estudantes e professores.


O coordenador dos Gayrreiros do Vale do Paraíba, em Itabaiana, J. Walmir Ferreira, destacou que em 2007 existia um centro de referência em Itabaiana e em João Pessoa, mas que foram desativados. “É importante, agora, termos o Centro porque vai funcionar também no interior, daí pretendemos fazer parceria com os Centros Sociais Urbanos (CSU’s) para ajudarmos no atendimento das pessoas que precisam”, disse.


Já o tesoureiro do Movimento do Espírito Lilás, Luciano Bezerra Vieira, avalia como positiva a implantação do Centro porque existe demanda e necessidade de uma assessoria jurídica e psicossocial para a comunidade LGBT.


“Sempre sonhávamos com um espaço como este serviço, já que a violência continua muito presente e as discriminações continuam. É importante ressaltar o esforço do governo, que vem tomando iniciativas favoráveis em relação a diversidade sexual”, disse Luciano.


Segundo o técnico em LGBT, Cleudo Gomes, os crimes são praticados com requintes de crueldade e as pessoas antes de serem executadas não tinham para onde recorrer.


“O Centro vem dar suporte as ações da delegacia especializada de crimes homofóbicos, implantada em 2009, que foi um avanço. Agora, teremos atendimento especializado com psicólogos, assistente social e advogados e, os casos graves, já serão encaminhados”, disse o técnico.


Os Centros serão instalados depois das eleições em duas prefeituras, cinco governos estaduais e três organizações da sociedade civil. São elas: Florianópolis, Porto Alegre, Macapá, Campo Grande, Alfenas (MG), Campinas (SP), Agreste de Pernambuco, Maceió (AL) , Rio Branco (AC) e João Pessoa (PB).


A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Humano (SEDH) foi contemplada com o serviço depois de vencer a seleção pública através de edital 1/2010 publicado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O edital prevê a instalação de 10 Centros de Referência dos Direitos de LGBT e Combate a Homofobia no País.

O que é orientação, preferência e identidade sexual?

Você sabe o que é orientação sexual? E a diferença entre orientação e identade sexual? E o que chama-se preferência sexual? Sexualidade é opção? Continue lendo e tire todas as suas dúvidas.
A orientação sexual indica qual o gênero (masculino e feminino) que uma pessoa se sente preferencialmente atraída fisicamente e/ou emocionalmente.

A orientação sexual pode ser assexual (nenhuma atração sexual), bissexual (atração por ambos os gêneros), heterossexual (atração pelo gênero oposto), homossexual (atração pelo mesmo gênero), ou pansexual (atração por diversos gêneros, quando se aceita a existência de mais de dois gêneros).

O termo pansexual (ou também omnissexual) pode ser utilizado, ainda, para indicar alguém que tem uma orientação mais abrangente (incluindo por exemplo, atração específica por transgêneros).



A orientação sexual não-heterossexual foi removida da lista de doenças mentais nos EUA em 1973; e do CID 10 (Classificação Internacional de Doenças) editado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), em 1993.


O termo orientação sexual é considerado, atualmente, mais apropriado do que opção sexual ou preferência sexual. Isso porque opção indica que uma pessoa teria escolhido a sua forma de desejo, coisa que muitas pessoas consideram como sem sentido. Assim como o heterossexual não escolheu essa forma de desejo, o homossexual (tanto feminino como masculino) também não, pois, segundo pesquisas recentes esta orientação poderá estar determinada por fatores biogenéticos, sejam questões hormonais in utero ou genes que possam determinar esta predisposição.


É importante esclarecer que há grande imposição do modelo heterossexual para todos. Em alguns casos, pode não existir a preocupação em conhecer o nível ou qualidade de vida afetiva, nível de prazer ou felicidade que uma pessoa possa ter, mas sim que ela deveria ser heterossexual.


Por conta dessa forte imposição, muitas pessoas podem encontrar alívio dos desejos homoeróticos na religiosidade fanática, nos remédios, nas drogas ou mesmo, adotando um padrão escondido ou de vida dupla.


No seu entorno social e familiar assume um comportamento heterossexual e num mundo privado permite-se exercer a sua homossexualidade, situação esta que cria um maior ou menor conflito interior e assim as suas repercussões posteriores nesse ser humano. Segundo diversas organizações científicas não é possível forçar a alteração da orientação sexual de alguém.


A identidade sexual indica a percepção individual sobre o gênero que uma pessoa percebe para si mesma. Assim como o termo sexo pode assumir várias interpretações costuma-se separar orientação sexual do conceito de identidade sexual. O termo identidade de gênero aproxima-se da identidade sexual, mas também mantém diferenças conceituais significativas.


A identidade sexual pode ser exclusivamente masculina ou feminina. Também pode manifestar uma mistura entre a masculinidade e feminidade, admitindo várias categorias entre homossexualidade com inversão sexual de papéis de gênero, travestibilidade e transexualidade.


A identidade sexual difere em conceitos da orientação sexual, pois a identidade sexual fundamenta-se na percepção individual sobre o próprio sexo, masculino ou feminino percebido para si, manifestado no papel de gênero assumido nas relações sexuais e a orientação sexual fundamenta-se na atração sexual por outras pessoas.


Difere também da identidade de gênero no sentido em que a identidade de gênero está mais correlacionada com a maneira de se vestir e de se apresentar na sociedade enquanto a identidade sexual correlaciona-se mais diretamente com o papel de gênero sexual.


Algumas vezes considera-se que um transexual do biotipo masculino, cuja orientação sexual é somente por homens e que se relacione sexualmente apenas no papel feminino, possa ser considerado heterossexual. Nos casos mais comuns, homens e mulheres identificam-se no biotipo sexual natural, sem manifestar desejos pela transgenereidade.