quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ser bi, e daí?

Descobri que gostava de garotos quando tinha 14 anos. Me senti culpado, envergonhado do que era, e foi um longo caminho até a aceitação. Durante algum tempo eu achei que era gay. Mas então, surgiu uma garota na minha vida, uma que eu olhava de modo diferente e me fazia sentir diferente... E então me descobri bissexual.




Não, eu não sou bissexual, mas hoje quero falar desse grupo específico de pessoas por isso começo com o depoimento de um bifóbico.

 
Bissexualidade. Como pode alguém dizer que se sente atraído tanto por homem quanto por mulher da mesma forma? Isso para mim é insegurança. É coisa de gay que não tem coragem de se assumir e fica com o sexo oposto só para não sofrer com a discriminação por homofobia. A maioria dos bissexuais tem mais relação com o mesmo sexo que com o oposto e ficam nessa indecisão. Covardes!


Tem outra questão também. Ser gay hoje é modinha. Então muitos caras e mulheres só para bancarem os descolados, mente abertas, ficam pagando de bissexuais para mostrarem que são modernas, não tem preconceito. Babaquice! A maioria desses fica com o sexo oposto e quando pega alguém do mesmo sexo é em situações de sexo à três e só o fazem para agradar o parceiro, mas não fazem nada além de algumas carícias ou darem uns beijos, aposto.


Eu sou gay e não tenho medo ou vergonha de assumir quem sou. Gosto é de homem, pô. Qual a dificuldade em assumir isso? Ser gay não é modinha e exige muita coragem para dar a cara a tapa. Quem não entende isso fica criando esse meio-termo que chamam de bissexualidade. Na verdade não existe bissexualidade ou bissexuais. Somos gays ou héteros, simples assim.


Esse aí de cima era eu há uns dois anos atrás. Era assim que eu via a bissexualidade. No auge da minha pasteurização dos comportamentos humanos, transformava a sociedade em um grande supermercado e as pessoas em produtos a serem empratileirados. Hoje, por sorte, revi meus preconceitos e vejo as pessoas muito além dos rótulos.


Mas muito além de gays, héteros ou bissexuais, somos humanos e com tal, somos diversos. Não há padrões. Não há modelos. Não há certo ou errado quando trata-se de uma manifestação natural e saudável da nossa sexualidade. Nós é que temos essa necessidade da criação de rótulos.


É como se assim fosse mais fácil lidar com as pessoas. E é, né?. Eu gosto dos gays, mas não da qualhiragem, então não ando com a bichinha afeminada. Nada contra as lésbicas, mas precisa ser masculinizada. Tá bom que você seja bissexual, mas eu não vou ficar com alguém que pode me trocar tanto por um homem quanto por uma mulher. E se for assim? Que mal há? Sendo saudável, natural...


Hoje vejo as coisas de outra forma. Eu tinha uma visão torta a te mesmo da minha (homo)sexualidade. Foi um processo muito longo para que eu mudasse meus conceitos e vencesse meus preconceitos. Assumir-se preconceituoso, desinformado, incapaz de fazer lago sozinho é o primeiro passo. Não é vergonha pedir ajuda, assumir que não pode ou não sabe. Vergonhoso é ser preconceituoso, querer ser preconceituoso. Ainda tenho que derrubar muitos dos ícones que construir erroneamente, mas felicito-me por estar disposto a fazê-lo. A maioria nem a isso se dispõe. Eu me dispus.

 

A nossa sociedade é muito influenciada pela tradição judaico-cristã, que identifica sexualidade com reprodução e, portanto, com heterossexualidade, o que marginaliza e reprime outra forma de se relacionar. E assim com a bissexualidade.

Resolvidos os traumas, aparadas as arestas internas e definido o que é atração real e o que é simples curiosidade, vem a "saída do armário" o que esbarra em aspectos pessoais, profissionais e familiares e que vem, na maioria das vezes, acompanhada por momentos difíceis.

O armário bi tem duas portas: uma para homossexualidade, outra para a heterossexualidade. E abrir ambas ao mesmo tempo requer muito mais do que coragem: requer auto-aceitação, auto-entendimento. Afinal, é duplamente difícil ‘se assumir’ como gostando de ambos os sexos - por vezes indistintamente, por outras com alguma preferência.

A descoberta da bissexualidade é um verdadeiro susto. A pessoa se questiona, acha que está confusa, tem dificuldade de aceitar que bissexualidade existe e não é doença ou desvio de caráter - como grande parte da população acha ainda hoje.

A aceitação da bissexualidade, tanto por parte do bissexual quanto de quem o rodeia (família, amigos, colegas de trabalho), pode ser um processo lento e doloroso. O medo de ser diferente pode impedir a decisão de se mostrar para todos. Por isso há indivíduos que ficam por muito tempo "em cima do muro", adotando o comportamento que lhe convier, dependendo do grupo em que está inserido.

A crença geral é de que o bi é uma pessoa indefinida, que ainda não achou sua identidade sexual, mas não é bem assim. A realidade é bem mais ampla e complexa. Há muito mito e preconceito acerca dos bissexuais e isto faz com que muitos prefiram não se identificar como tal.

O assunto começou a ser discutido na década de 70. Nos anos 80, sua aceitação social sofreu um retrocesso com o surgimento da Aids. Os bissexuais foram acusados de disseminarem o vírus HIV porque muitos homens, com relacionamentos heterossexuais, escondiam da mulher o seu lado bi e tinham relações com outros homens sem proteção.

E ainda nos dias de hoje, os bissexuais são vítimas de situações preconceituosas. E o pior: este preconceito vem de quem também sofre com ele. Homossexuais, assim como os héteros, acreditam que os bissexuais só querem o melhor de ambos os mundos: as vantagens sociais da heterossexualidade e o prazer ilimitado.

Se para muitos heterossexuais a bissexualidade é coisa de gente ‘sem-vergonha’, e para os homossexuais é coisa de gay mal-resolvido. Sendo assim, os bissexuais sofrem de um tipo específico de preconceito. A chamada bifobia. Eu mesmo já me comportei com os bissexuais partindo da idéia que eles apenas não tem coragem de assumir sua homossexualidade.

É bom ressaltar que assim como os gays e héteros, os bi não carregam um neon piscando na testa. Não existem diferenças comportamentais. Sua busca é como qualquer outra. São seres humanos em busca de amor, carinho e afeto, mas que tem atração por ambos os sexos, já que homens e mulheres oferecem satisfação. É importante também deixar claro que a sexualidade não é uma opção pessoal.

Ninguém nasce com idéia formada sobre sua sexualidade. A bissexualidade não pode ser vista como uma escolha, até por que ninguém nasce sabendo o que vai ser e isso nos já estamos cansados de saber, mas tentar entender se torna mais difícil, pois a mente das pessoas carrega muito preconceito, e isso impede a compreensão dos mistérios da sexualidade humana.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Maranhão aprova adoção do 'nome social' por travestis

Com informações do Blog Cotidiano Maranhense do Wilson Lima

 
Nome social é o nome pelo qual transexuais e travestis preferem ser chamados cotidianamente, em contraste com o nome oficialmente registrado que não reflete sua identidade de gênero. No Brasil, a Universidade Federal do Amapá foi pioneira na adoção do nome social para seus alunos. Há iniciativas no mesmo sentido em andamento em outros estados, notavelmente Minas Gerais, Amazonas, Piauí, Pará, Goiás e Paraná, segundo a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

Agora o Maranhão também dá seus primeiros passos para incluir essas pessoas. Foi publicado no Diário Oficial do Estado - no dia 24 de setembro – a aprovação pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) da adoção do “nome social de travestis e transexuais nos registros internos de documentos escolares das instituições de ensino integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Maranhão”.

Pela determinação do CEE, “os Gestores das instituições de ensino, referidos no art. 1º desta Resolução, devem conceder aos travestis e transexuais, maiores de 18 (dezoito) anos, o direito de manifestarem, por escrito, no ato da matrícula ou ao longo do ano letivo, seu interesse na inclusão do nome social”. No caso de crianças e adolescentes, a inclusão do nome social deve ocorrer “mediante requerimento assinado pelos pais ou responsável legal”.

A medida, sem dúvida, deve suscitar novas discussões relacionadas à sexualidade no âmbito escolar, sobretudo diante da falta de políticas educacionais que promovam o esclarescimento da comunidade escolar sobre a questão.

Alunos e docentes não estão suficientemente bem informados para lidar com travestis e transexuais no seu cotidiano. Não basta apenas permitir, mas tem-se que garantir a inclusão de forma saudável dessa minoria, do contrário estaremos apenas jogando Daniel na cova dos leões.

Eis a determinação do Conselho Estadual de Educação, publicada no Diário Oficial.


SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

Conselho Estadual de Educação - CEE

RESOLUÇÃO Nº 242/2010 – CEE

Dispõe sobre a inclusão do nome social de travestis e transexuais nos registros internos de documentos escolares das instituições de ensino integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Maranhão e dá outras providências.

O CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO MARANHÃO, no uso de suas atribuições legais e, considerando o Parecer Nº 293/2010 - CEE, do Grupo de Estudos designado pela Portaria Nº. 057, de 15 de setembro de 2009, emitido nos Processos CEE Nos. 470/2009, 498/2009, 534/2009 e 257/2010, aprovado por unanimidade em Sessão Plenária hoje realizada, RESOLVE:

Art. 1º. Determinar que as instituições de ensino público e privado, integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Maranhão, incluam o nome social de travestis e transexuais nos seus registros internos de modo a garantir a efetivação do processo de inclusão de travestis e transexuais no contexto escolar.

Art. 2º. Os estabelecimentos públicos e privados integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Maranhão, em respeito à cidadania, aos direitos humanos, à diversidade, ao pluralismo e à dignidade da pessoa humana devem assegurar condições de acesso, permanência e sucesso escolar de travestis e transexuais.

Art. 3º. Os Gestores das instituições de ensino, referidos no art. 1º desta Resolução, devem conceder aos travestis e transexuais, maiores de 18 (dezoito) anos, o direito de manifestarem, por escrito, no ato da matrícula ou ao longo do ano letivo, seu interesse na inclusão do nome social pelo qual são reconhecidos na comunidade.

Parágrafo único. No caso de menor de idade, a inclusão, de que trata o caput, deve ocorrer mediante requerimento assinado pelos pais ou responsável legal.

Art. 4º. Os Gestores das entidades mantenedoras devem orientar as instituições de ensino respectivas para que mantenham programas de combate à homofobia e à transfobia nas suas atividades educativas, com vistas ao respeito à cidadania, à dignidade da pessoa humana e à diversidade como forma de contribuir para a eliminação de discriminação e preconceito, bem como ao cumprimento do disposto nesta Resolução.

Art. 5º Os casos omissos são resolvidos pelo Conselho Estadual de Educação.

Art. 6º A presente Resolução entra em vigor na data da sua publicação.

SALA DAS SESSÕES PLENÁRIAS DO CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO MARANHÃO, EM SÃO LUÍS, 19 DE AGOSTO DE 2010.

JOSÉ RIBAMAR BASTOS RAMOS Presidente CEE/MA

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

LGBT News

Bahia é o Estado onde mais se mata gays no Brasil, diz ONG



Um estudo apresentado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) mostra que este Estado registra o maior número de casos de assassinatos de homossexuais no Brasil. Somente em 2009, 25 foram mortos. Até agosto deste ano, outros 14 gays foram assassinados.



A pesquisa aponta também que o Brasil é o líder mundial no ranking de crimes contra homossexuais. Somente em 2009, haviam sido registrados 199 homicídios. Até agosto deste ano, foram 138 mortes.



Para o coordenador do GGB, Marcelo Cerqueira, a dificuldade em solucionar os crimes contra gays está ligada à clandestinidade. Como muitos temem se expor, acabam se cercando de segredos que dificultam qualquer tipo de investigação policial.



O delegado-geral da polícia baiana, Joselito Bispo, diz que a polícia tenta estabelecer uma lista de suspeitos, mas isso pode ser dificultado geralmente pelo número de pessoas com que as vítimas costumam se relacionar. Bispo considera que, diante de muitas mudanças de parceiros das vítimas, as pessoas deixam de notar quando alguém diferente chega em suas residências.



Justiça autoriza visita íntima para preso homossexual em SP



A Justiça de Taubaté, a 134 quilômetros de São Paulo, autorizou um preso homossexual a receber a visita íntima do companheiro no Centro de Progressão Provisória da cidade. No estado, a visita íntima homossexual não é permitida, segundo norma da Secretaria da Administração Penitenciária. Mas a juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, da Vara das Execuções Criminais de Taubaté, entendeu que negar o pedido seria ferir o princípio constitucional da igualdade.



Para a juíza, o companheiro do preso é equiparado à condição de cônjuge. Por isso, ela decidiu autorizar a visita tomando como exemplo mulheres que comprovam concubinato com os detentos e fazem visitas íntimas.



A juíza de Taubaté cita outras decisões que tratam sobre os direitos de presos e casais homossexuais no Brasil e a legalização do casamento em outros países.



Na Assembléia Legislativa de São Paulo há um projeto de lei sobre o assunto.


Um a cada cinco homens gays nos EUA é portador do HIV



Um a cada cinco homens homossexuais nas principais cidades dos Estados Unidos é portador do vírus da Aids, e quase a metade ignora ser soropositivo, revela um estudo publicado na sexta-feira (24). O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) informa que de 2005 a 2008 a taxa de contágio por HIV entre os homens gays cresceu 17%.



No total, 19% dos "homens que fazem sexo com outros homens" são soropositivos e 44% não sabem que têm o vírus da Aids, assinala o CDC, baseado em um estudo que analisou mais de 8 mil homossexuais.



"A mensagem deste estudo é clara: o HIV registra números devastadores entre homens que mantêm sexo com outros homens nas principais cidades dos Estados Unidos", disse Kevin Fenton, diretor do Centro Nacional de HIV/Aids do CDC.


Cerca de 1,2 milhão de pessoas lotaram as ruas de Madureira para prestigiar 10ª Parada LGBT no bairro carioca, realizada pelo Movimento de Gays, Travestis e Transformistas (MGTT). A chuva e frio que castigaram a capital fluminense, neste domingo, não espantaram e nem desanimaram o público.



A presidente do movimento, Loren Alexsandre, explicou que foram distribuídos 200 mil preservativos e frascos de gel lubrificantes. Ela ressaltou que a distribuição faz parte de um trabalho de conscientização e prevenção.


Ordenação de bispos gays anglicanos apenas com o celibato

O arcebispo de Cantuária disse ontem que não se opõe a que homossexuais sejam nomeados bispos da Igreja de Inglaterra, desde que se mantenham celibatários - uma afirmação que ameaça dividir ainda mais a comunhão anglicana sobre a ordenação de gays.



Na entrevista, onde abordou mais explicitamente do que nunca o tema, o arcebispo admitiu que um dos períodos mais difíceis do seu mandato ocorreu em 2003 quando, após intensa polêmica, bloqueou a nomeação de Jeffrey John, um reverendo que mantinha uma relação homossexual.



Williams admitiu que as divergências sobre o tema têm sido "uma ferida" no seu mandato, mas explicou que se sentiu sempre obrigado a alinhar com o setor mais conservador porque a aceitação incondicional da ordenação de homossexuais "tem ainda um custo demasiado grande para o conjunto da Igreja anglicana".



As declarações do arcebispo foram de imediato condenadas pelos defensores dos direitos dos homossexuais, que o acusam de discriminação, por exigir aos gays o celibato que não é obrigatório para os heterossexuais. "Para ele, a unidade da Igreja é mais importante do que o respeito pelos direitos humanos de gays e lésbicas." Mas a entrevista promete também indignar os mais conservadores, que acusam Williams de ignorar a doutrina da Igreja ao aceitar a ordenação de homossexuais.



Filme brasileiro sobre homossexualidade lota festival gay em Portugal



A exibição do longa brasileiro "Do Começo Ao Fim", do diretor Aluízio Abranches, lotou a sessão de abertura do Festival de Cinema Homossexual de Lisboa. O filme causou polêmica onde foi exibido, devido a história central ser sobre um relacionamento entre dois meio-irmãos.



A 14ª edição do Festival de Cinema Gay de Lisboa, que acontece até o final desta semana, está sendo bem aceito pelo público português. O "Queer Lisboa", que projeta um total de 118 filmes, entre eles vários procedentes da Espanha, Brasil e Argentina, atraiu mais espectadores que nas últimas edições.



Brasil teve no sábado 24 horas de combate à homofobia



No sábado (25) um grupo de defensores dos direitos humanos realizou suas “24 Horas de Combate à Homofobia”, iniciativa com um nome que já diz tudo e que teve programação em todo o Brasil. A ideia de lançar a campanha surgiu depois do recente assassinato do adolescente Alexandre Ivo e da aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Argentina.



O movimento virtual é de conscientização política, pretendendo chamar a atenção da sociedade para esse problema com uma programação de 24 horas que incluiu shows musicais, esquetes teatrais, exposições, debates e festa – claro. Qualquer pessoa pode participar, fazendo o que achar que pode fazer. No site da iniciativa existem várias dicas.



Uma ideia parecida é realizada na França pela Idaho – International Day Against Homofobia - que também acredita em uma incidência mais pontual, feita em apenas um dia. O site da iniciativa brasileira é o www.24horasdecombateahomofobia.com.br.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Dia da Celebração Bissexual

"Eu gosto de homens e de mulheres e você o que prefere?"
(Ana Carolina)

Hoje (23 de setembro) é o Dia da Celebração Bissexual. Este dia é uma chamada às pessoas bissexuais e suas famílias, amigos e simpatizantes para reconhecer e celebrar a bissexualidade, a história bissexual, a Comunidade Bissexual, a cultura e a pessoa bissexual em suas vidas.

A bissexualidade consiste na atração física, emocional e espiritual por pessoas tanto do mesmo sexo quanto do oposto, com níveis variantes de interesse por cada um, e à identidade correspondente a esta orientação sexual. Bissexual é, portanto o termo aplicado a seres e, mais comumente, pessoas, que se sentem atraídos por ambos os sexos, servindo, portanto de um “quase meio-termo” entre o hétero e o homossexual.

O número de indivíduos que apresentam comportamentos e interesses bissexuais é maior do que se suporia à primeira impressão, devendo-se a pouca discussão desta situação essencialmente a uma tendência geral para a polarização da análise da sexualidade, tanto em nível acadêmico como, muito mais marcadamente, em nível popular, entre a heterossexualidade e a homossexualidade.


O conceito da comunidade bissexual é muito complexo e controverso, pois os bissexuais estão na situação peculiar de receber o ódio, a desconfiança, ou a negação, chamada ‘bifobia’, de elementos tanto das populações heterossexuais como de homossexuais. Há naturalmente algum elemento da sensação geral de anti-LGBT, mas algumas pessoas insistem que a pessoa bissexual é insegura das suas sensações verdadeiras, que eles estão experimentando ou atravessando "uma fase", e que eles conseqüentemente fazem ou dever "decidir" ou "descobrir" a que gênero (singular) eles são sexualmente atraídos.

A comemoração foi instituída em 1999, por três ativistas dos direitos bissexuais dos Estados Unidos - Wendy Curry (Maine), Michael Page (Flórida), e Gigi Raven Wilbur (Texas). Wilbur disse na ocasião que “depois da Rebelião de Stonewall, a comunidade gay e lésbica cresceu em força e visibilidade. A comunidade bissexual também cresceu na força, mas de muitos modos somos ainda invisíveis. Também fui condicionado pela sociedade para taxar automaticamente um casal que anda de mãos dadas como hétero ou gay, dependendo do gênero percebido de cada pessoa.”

Esta celebração de bissexualidade especialmente, ao contrário dos eventos LGBT gerais, foi concebida como uma resposta ao preconceito e a marginalização das pessoas bissexuais por alguns tanto nas comunidades hétero e grandes comunidades LGBT.

No seu primeiro ano, uma observância foi mantida durante a Associação Internacional de Gays e Lésbicas, que ocorreu durante a semana do dia 23. Enquanto no início o feriado só passou em áreas com uma presença bissexual extremamente forte, ele agora presencia eventos como discussões, festas de jantar e danças em Toronto (Canadá) e um grande baile de máscaras em Queensland (Austrália).

Na Universidade A&M do Texas, a semana apresentou painéis de discussão e sessões de pergunta-e-resposta. A Universidade de Princeton celebra este dia cada ano fazendo uma festa no seu Centro LGBT. O destaque da festa são biscoitos de açúcar deliciosos em forma da imagem da bandeira do Orgulho Bissexual. Também tem sido celebrado na Alemanha, Japão, Nova Zelândia, Suécia e Reino Unido.

No Brasil, para lembrar a data, o site Bi-Sides promove, no dia 26, um piquenique no Parque do Ibirapuera, que será gratuito e aberto a todos.

Você sabia que há uma bandeira exclusiva do movimento bissexual? Pois é. A bandeira do orgulho bissexual foi desenhada por Michael Page em 1998 para dar à comunidade bissexual o seu próprio símbolo comparável com a bandeira do orgulho gay da maior comunidade LGBT. O seu objetivo era aumentar a visibilidade dos bissexuais, tanto entre a sociedade no conjunto como dentro da comunidade LGBT.