terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um Oi e a Caixa de Pandora

Meus caros, sei que estou em débito com vocês. Há uma semana não escrevo nada. Estou me forçando a digitar essas malogradas linhas para dar alguma satisfação a todos que diariamente vem até aqui ver o que há de novo e se deparam com o nada.

Ando sem inspiração para escrever, embora não me faltem assuntos. A cabeça dói, literalmente. As últimas semanas foram de muita exaustão física e mental. Trabalho praticamente dobrado em nome do jornalismo o que me deu muita satisfação, é claro, pois amo o meu trabalho, mas acho que preciso me desligar um pouco para recobrar as forças e poder dar conta de tudo que me espera. Talvez por isso tenha sumido daqui.

Estou com algumas preocupações. O sono, que já não era dos melhores, ficou ainda pior. A vontade é de sumir por um tempo. Jogar tudo pro ar, mas falta coragem e não sei até que ponto isso é bom ou ruim.

Mas hoje quero, além de pedir-lhes que não deixem de visitar este espaço apesar das minhas constantes ausências, falar sobre a Caixa de Pandora, mais precisamente sobre a minha Caixa de Pandora e também por que estava sentindo falta de falar sobre mim.

Se você já ouviu falar sobre a lenda da Caixa de Pandora, mas está sendo traído pela memória, aqui vai uma pequena ajuda:

A Caixa de Pandora é um mito grego que narra a chegada da primeira mulher à Terra e, com ela, a origem de todas as tragédias humanas. De acordo com a lenda, o titã Prometeu presenteou os homens com o fogo para que dominassem a natureza. Zeus, deus do Olimpo, que havia proibido a entrega desse dom à humanidade, arquitetou sua vingança criando Pandora, a primeira mulher.

Antes de enviá-la à Terra, entregou-lhe uma caixa, recomendando que ela jamais fosse aberta. Dentro dela, os deuses haviam colocado um arsenal de desgraças para o homem, como a discórdia, a guerra e todas as doenças do corpo e da mente mais um único dom: a esperança. Vencida pela curiosidade, Pandora acabou abrindo a caixa, liberando todos os males no mundo, mas a fechou antes que a esperança pudesse sair.

Assim como com Pandora, minha esperança ficou trancada na caixa. Não a deixei sair. Junto com ela tranquei todos os bons sentimentos. Os males, peguei-os todos e fiz uma armadura intransponível da qual nunca me dispo. Quando isso acontece é por tão pouco tempo que nem sempre (ou quase nunca) se pode me ver. Só alguns privilegiados tem olhos extremamente aguçados, mas desses eu dou cabo da pior forma possível.

Às vezes acho que não tenho sentimentos, mas engrenagens. De tanto ouvir amigos, familiares, conhecidos e afins me chamarem de insensível, na maioria das vezes tenho certeza que o que tenho são engrenagens. Ao longo da minha, mesmo quando ainda era bem criança, ouvi as pessoas dizerem: “Jock, tu és muito mal”; “Jock, tu não tens coração”; Jock, tu és muito frio”; “Jock, tu és insensível”; “Jock, tu és egoísta” etc e tal. Ainda nem tinha 6 anos completos quando isso aconteceu pela primeira vez. Minha mãe, perdi as contas de quantas vezes ela disse tais coisas. Acho que internalizei isso.

O fato é que isso ficou impregnado em mim depois de todos esses anos. Acho que não limpa mais, sendo assim, as pessoas só tem duas opções, oito ou oitenta, amar-me ou deixar-me. Tenho muitos que me amam, mas os que me deixaram somam bem mais. Fazer o quê?

Bem, amigos, ficarei por aqui. Gostaria de aprofundar-me mais, mas deixarei para a próxima. Minha cabeça dói muito. Queria apenas que soubessem que estou por aqui ainda.

5 comentários:

Lilah disse...

Sabe, a caixa ainda está com vc. A esperança que não saiu ainda está na caixa, guardada com vc. Vc pode ate não saber aonde ela foi parar. Talvez esteja perdida um canto qualquer da armadura e vc nem a veja. Mas ela está lá.
Eu amo vc, mas isso vc sabe. Fica bem.

diariodoandre.com disse...

Jock. Isso é normal. Abraços. Cada um sente as coisas e vê de pontos de vistas diferentes. Você tem suas qualidades. Muitos enxergam isso. Thamirys é uma dessas pessoas. Os defeitos a gente não consegue se livrar por completo, mas é possível atenuar. Luto contra mim mesmo desde quando me conheço. Tenho evoluído até. E isso faz a gente mais feliz. Abraços!

Papai Gay disse...

Nossa, sinceridade pura! Adorei a historinha de Pandora, que, por acaso, havia esquecido há muitos anos. seguindo...

Filhão disse...

Primeiramente queria agradecer pela sua visita no meu blog e pelo apoio. E queria dizer que gostei muito desse post e posso dizer que sou assim também. Criei uma armadura, porém uma diferente, que faz com que todos pensem que estou sempre de bem com tudo. Bem é isso e a partir de hoje estarei te seguindo!
Abraços!

Anônimo disse...

O que dizer para você quando me vejo quase nas mesmas condiçoes, o que atenua um pouco do contraste de tudo chato é ver que a cada dia mesmo com o meu mau humor e minha falta de pespectiva DEUS continua me guardando e cuidando para que nada venha ferir minha vida, e por este motivo presto mais atenão nas coisas que são pequenas e que passam desapercebida aos olhos de quem esta feliz, como por exemplo o vento sobre as arvores e sobre as pessoas felizes que nem percebe a sua existenci, mas ele tb me toca, e assim posso ver o quanto somos todos iguais pra DEUS,tudo depende somente de nós. Acho que escrevi isto pra vc e pra mim...abraços.

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