segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Limpando gavetas

Tenho no meu quarto uma cômoda bem antiga. Mamãe a comprou quando montou o meu quarto, após uma reforma feita aqui em casa. Eu tinha por volta de 10 anos. Hoje tenho 23 e nesse tempo todo foram poucas as vezes que tirei as gavetas para limpar, pois como não guardo nada de uso muito freqüente nela, não me preocupo em fazê-lo. A maioria das vezes em que o móvel foi faxinado foi pela minha mãe.

Então, na última semana de 2010, depois de mamãe muito insistir, resolvi faxinar a bendita cômoda. Tirei gaveta por gaveta, item por item que estava guardado lá e constatei, contrariando mamãe, que não havia ratos, baratas, aranhas, traças ou qualquer animal indesejável. Mas isso se deve ao fato de mamãe está sempre atenta à assepsia da casa com constantes dedetizações.

Mas algumas gavetas não são tão limpas assim e muito menos fáceis de limpar. As mais importantes gavetas ficam, por vezes, tanto tempo fechadas que apodrecem com a umidade, a ação do tempo, viram hábitat de ratos, baratas, aranhas, cobras, traças, cupins e, perdendo a serventia, ficam lá, anos a fio, esquecidas no canto qualquer da casa onde ninguém possa vê-las.

Acontece que o mofo impregna o ambiente. Os ratos fazem barulho, chamam atenção para sua presença e as aranhas e cobras estão sempre à espreita para a qualquer momento te surpreender no meio da noite. Sendo assim, em dado momento o móvel, antes esquecido naquele depósito escuro, começa a incomodar e faz-se necessário pô-lo fora, mas antes é preciso verificar gaveta por gaveta, item por item guardado lá, o que ainda pode ser aproveitado.

Mas nem todo mundo possui estômago para ratos, baratas, cobras, aranhas e outros animais asquerosos. E eles quase nunca querem deixar o conforto daquela mobília velha pacificamente. É por isso que é tão difícil abrir certas gavetas, pois os ratos, as aranhas, as cobras, as baratas cairão sobre você lutando pelo direito de permanecerem lá. Então se desiste de limpar o gaveteiro. É condenável não querer sentir a dor das mordidas?

Outro motivo para não querer abrir o antigo móvel é que nele estão guardadas coisas das quais se queria distância. Um bibelô que não faz mais parte da decoração. Um cobertor que não acalenta mais. Uma camisa que não cabe. Um pão que não mais alimenta. Um diário que não se quer mais ler.

Então como lidar com a necessidade de limpar as gavetas e ao mesmo tempo querer evitar a dor que isso trará e não querer se sentir sujo outra vez?

2 comentários:

Madre Madalena da Santíssima R.A. disse...

Meu Anjo
Realmente necessitamos lutar contra essas imundicies, sendo que a pior dela é o preconceito.
Santo Ósculo em seu coração

Anônimo disse...

Gostaria de lhe dizer que venho lendo o seu blog e suas reportagens . lhe admiro muito!!

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